domingo, 28 de dezembro de 2008

Retrospectiva Melhores de 2008

LIVROS
1º Acenos e afagos, de João Gilberto Noll
A experiência fascinante de acompanhar os caminhos tortuosos da libido de um homem.

2º Sobrevivi para contar, de Immaculée Ilibagiza
Mulher sobrevive ao massacre de Ruanda trancada em um banheiro por três meses com outras 5 mulheres, perdoa os algozes de sua família e constrói uma nova vida.

3º Os irmãos Karamabloch, de Arnaldo Bloch
A saga da família Bloch narrada por um de seus membros desde os primórdios na Rússia, com humor e sensibilidade. Especialmente interessante para quem trabalhou no império, como eu.

FILMES
1º Mamma Mia!
Uma onda de alegria ao som das músicas do Abba. Também uma reflexão sobre a relação entre mãe e filha.

2º Sex and the city, o filme
Em meio a risadas, um retrato nu e cru da natureza feminina.

3º Irina Palm
A emancipação de uma mulher ainda que tardia.

DVDs
1º O escafandro e a borboleta
Faz repensar a vida inteira, o que queremos e para onde vamos.

2º A Massai branca
Como o amor é capaz de superar as diferenças - pelo menos por um tempo.

3º Lady Chatterley
O esplendoroso desabrochar da sexualidade de uma mulher.

CDs
1º Mamma Mia!, trilha do filme
Um reencontro com as incríveis músicas do Abba.

2º Samba meu, Maria Rita
Um disco lindo. Finalmente, ela deixou de ser filha da Elis.

3º Coletâneas Queen Collection e The Clash - The singles
A redescoberta dos sucessos desses grupos. Ouvimos até furar.

TV
1º A favorita
Eita, novela bem escrita! Inverossímil e divertida como toda boa novela deve ser.

2º Troca de esposas
Duas famílias completamente diferentes trocam a mãe/esposa por uma semana. Uma lou-cu-ra...

3º Telecine Cult
Esse ano nos presenteou com Irma La Douce (Shirley MacLaine e Jack Lemmon em uma comédia inesquecível) e Jane Eyre (versão de 1944, com Orson Welles e Joan Fontaine), entre outras pérolas.

Concordam? Discordam? O que ficou faltando? Aguardo vocês... Abaixo, trecho de Jane Eyre com a participação de Elizabeth Taylor ainda criança...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Alquimia

Foi num domingo qualquer desse fim de 2008, sol brilhando, praia cheia, Rio de Janeiro luzindo após muita chuva. Acordei cedo e, cheia de determinação, levei a cabo as tarefas prescritas pela terapeuta para uma “limpeza de fim de ano”.

Em pedaço de papel, escrevi os sentimentos, ou melhor, ressentimentos que ainda teimavam em aparecer de vez em quando, escondidos embaixo de camadas de pele e de gordura, ocultos, mas ainda lá. Tirei-os pra fora e os desnudei diante dos meus olhos, tal qual insetos prontos para serem esmagados. Cortei as frases em tiras e queimei uma a uma, no bico do fogão, dentro de uma grande panela de alumínio. Com intenção. Sobraram cinzas que embrulhei num pedaço de jornal e reservei.

Fui para a sala e escrevi uma longa carta ao pai morto há 25 anos (!), pedindo permissão e bênção para prosseguir no meu caminho e chegar aonde quero. Porque meu pai tinha outros planos para mim e meu irmão e, infelizmente, não conseguiu aprender em vida que a vida dos filhos aos filhos pertence, que somente eles, enquanto indivíduos livres, têm o direito de escolher que carreira seguir, o que fazer ao longo de sua jornada no mundo, custe o que custar. A carta saiu num jorro, duas páginas em dois minutos. Lágrimas rolaram, mas disse tudo o que queria!

Pedalei rumo ao Arpoador, subi as pedras pisando firme em cada passo, fazendo os últimos acertos internos antes de liberar a carga. Parei defronte ao mar, que estava calmo naquele dia, transparente. Respirei fundo e atirei primeiro o jornal com as cinzas: veio uma onda e levou. Li mais uma vez a carta, dobrei bem pequenininha e atirei longe: veio outra onda e levou.

Fui embora aliviada, alegre, com PAZ no coração. E me dei conta de porque nos apegamos a algo que não nos serve mais: medo do vazio e da solidão que pode dele resultar.

O que está vazio, pode ser cheio. Que venha 2009!




sábado, 20 de dezembro de 2008

And so this is Christmans...

... And what have done? A música de John Lennon sempre cai bem nessa época. Um ano terminou, outro vai começar e o que fizemos?

Uma coisa que faço é uma lista, ou melhor, duas: primeiro, escrevo as coisas BOAS que aconteceram ao longo do ano; depois, escrevo as coisas consideradas ruins num primeiro momento - porque com o tempo podemos compreender a importância desses fatos, por que sucederam, seus desdobramentos. Às vezes, leva muito tempo para esse entendimento chegar, mas um dia chega!

Voltando às listas, elas são importantes para nos dar a dimensão de que, de modo geral, as coisas boas acontecem em maior número e se sobrepõem às "ruins". Vou dar um exemplo: a primeira vez que fiz esse exercício foi no ano em me separei, perdi o emprego e minha empregada ficou grávida, hahaha! Agora, consigo rir...

Esses três fatos encabeçavam a lista "ruim", mas, por outro lado, a lista BOA era enorme. Nesse mesmo ano, ganhei uma viagem de trabalho a Fortaleza e revi amigos com os quais havia perdido contato. Todos não só lembravam de mim, como me receberam calorosamente. Também realizei meu sonho de conhecer pessoalmente Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, quando esteve no Rio. Isso sem falar em novas amizades, amores, alegrias que me fizeram ver que a vida é bela e sempre continua... para o bem.

Até mesmo acontecimentos trágicos têm desdobramentos bons, se a pessoa tiver energia para se levantar e continuar caminhando. O filme Tudo sobre minha mãe, de Almodóvar, fala exatamente sobre isso, e é um dos meus favoritos dele.

Feliz Natal a todos, tudo de bom, muitas coisas BOAS para todos nós em 2009!

(Abaixo, eu e Mr. Jimmy Page no aniversário da Casa Jimmy, em Santa Teresa, Rio de Janeiro/RJ - Outubro de 2005).



quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Bons programas de fim de ano no Rio de Janeiro


Navegar de pedalinho na Lagoa à noite

A árvore de Natal pisca de longe, mas graças as nossas enérgicas pedaladas, vai se aproximando, se aproximando, e de repente estamos a seus pés. Linda! Esse ano está especialmente clean, sem papagaiadas, com notas musicais douradas reluzindo sobre pauta vermelha, intercaladas com estrelinhas azuis. Tem que ser em noite limpa, sem nuvens ou vento - coisa rara, infelizmente, nessa estação atípica. Ideal para ir com o namorado, mas também dá pra ir com os amigos. Na noite em que eu fui tinha até famílias com bebês de colo - uma temeridade! E totalmente sem regras: saí para pedalar às 23h30 e voltei à 1 hora; a fila ainda estava enorme. R$ 20,00 por meia hora e R$ 40,00 por uma hora, mas ninguém fiscaliza direito, então, minha hora e meia saiu por R$ 20,00 mesmo.






Assistir a Rebobine, por favor, de Michael Gondry

O novo filme do diretor de Brilho eterno de uma mente sem lembranças e Quero ser John Malkovich não é tão novo assim; estava em cartaz em Londres em fevereiro desse ano. O importante é que são duas horas de gargalhadas diante da criatividade mirabolante desse cineasta que também costuma assinar os roteiros de seus filmes. Mas tem que embarcar na história (vi um casal saindo no meio): dois maluquetes que tomam conta de uma velha vídeolocadora de VHS apagam todas as fitas sem querer e refilmam as histórias, em produções de fundo de quintal - literalmente. Os filmes viram sucesso na vizinhança.

Vão logo porque a árvore de Natal só funciona até 6 de janeiro e o filme, me parece que não ficará muito tempo em cartaz!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ser mãe em primeiro lugar

A futura primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, tem declarado em entrevistas que sua prioridade é cuidar da educação das duas filhas, de 10 e 7 anos, antes mesmo da carreira como advogada. Inclusive, os 90 empregados da Casa Branca já estão avisados: é proibido fazer a cama ou arrumar os quartos das meninas; elas mesmas serão orientadas a fazer isso. Choveram críticas, as feministas caíram de pau.

Concordo com Michelle e acho que criar os filhos é mais importante do que a carreira, pelo menos nos primeiros anos de vida das crianças. Eu mesma fiz isso, passei quase 8 anos trabalhando em casa como frila, com o apoio do pai delas, claro, depois que nasceram.

Sei que nem todo mundo tem esse privilégio, na verdade, cada vez menos mulheres no Brasil têm. Acabam contratando outras mulheres - que por sua vez deixam seus próprios filhos em casa, aos cuidados de outras - para essa importante tarefa, enquanto passam 10 horas por dia trabalhando. Chegam em casa exaustas e não há tempo para criar INTIMIDADE com os filhos. Não estou julgando, só constatando, pois também já passei 10 horas por dia trabalhando, mas com uma diferença: a tranquilidade de saber que caminham sobre base sólida, pois acompanhei cada passo da construção.


Enfim... Vivas à sábia Michelle!


sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Polir o diamante

Pobre Suzana Vieira... Nessa altura da vida meter-se em tamanha confusão, ver seu nome no noticiário policial, associado a uma sucessão de fatos lamentáveis e a um terrível baixo astral. O que faz uma mulher bem sucedida, vitoriosa como ela, ligar-se a um homem como o ex-cabo Marcelo, que Deus o tenha?

Lembro quando fui fazer reportagem sobre o grupo MADA (Mulheres que Amam Demais), no subsolo da Igreja Santa Mônica, no Leblon, para a revista Marie Claire. Surpreendi-me com as mulheres bonitas e interessantes que encontrei lá. A psicóloga que conduzia a sessão me contou previamente, sem dizer nomes, que cada uma ali tinha uma história trágica: companheiras de ladrões, drogadictos, homens violentos. Por que?

Nós, mulheres, por mais inteligentes que sejamos, costumamos cair nessas armadilhas que nós mesmas criamos, é triste dizer. Começamos um relacionamento fazendo ressalvas, sabendo que há vários impecilhos, mas alguma coisa nos turva a visão e seguimos em frente fazendo concessão atrás de concessão. Daqui a pouco, estamos envolvidas numa teia e, tarde demais, amor e sofrimento se misturam, mas continuamos lá, pois já não é fácil desvencilhar-se.

Uso o pronome "nós" porque também já passei por isso, e muito me impressionou a recomendação da terapeuta que me acompanhava na época: "Procure dentro de você o que a faz se aproximar de pessoa com essas características."

Pela primeira vez, deixei de apontar meu dedo para fora e voltei-o para mim mesma, com um misto de susto, medo e raiva. O que encontrei? Bem, não é o caso de dizer aqui. Mas era o início do polimento de um diamante que carrego dentro de mim, que todos carregamos, e que requer limpeza e lapidação frequentes, diariamente, para luzir com toda a luz e valor que tem. Trabalho árduo, mas é para isso que aqui estamos.




terça-feira, 9 de dezembro de 2008

"Amor" de mãe

Amiga querida vai casar a filha em maio do ano que vem, mas está apreensiva: a futura sogra da jovem (ou seja, a mãe do noivo) mudou-se de Maceió para Brasília, onde estão morando, para "estar mais perto" do filho. Cruzes!...

A notícia surgiu meio de brincadeia, em reunião de fim de ano, mas logo estávamos todos com o cenho franzido. "É o primeiro desafio que sua filha vai enfrentar", disse um. "Ela ainda tem tempo de se arrepender", disse outro. "Esse cara não sabe dar limite à própria mãe?", disse um terceiro.

O fato é que minha pobre amiga está preocupada e fiquei pensando em como amor de mãe - e de pai também, claro - pode ser negativo em certas situações. Já perceberam que, mesmo numa família com muitos filhos, o "queridinho" ou "favorito" dos pais revela-se com o tempo o mais problemático?

Concluímos que, de fato, é tarefa do rapaz dizer à mamãe que o lugar dela é em Maceió, tomando conta de sua própria vida, e deixando o novo casal se amar em paz. Mas será que ele tem coragem e firmeza suficiente para isso? Tomara...

Uma sogra deve morar em lugar não tão longe que lhe permita chegar de malas, nem tão perto que possa chegar de chinelos...




sábado, 6 de dezembro de 2008

Repensar a vida

Há filmes que fazem a gente repensar a vida inteira. Tem que ter disposição e coragem para assistir, sabendo que no final, não há como desligar e esquecer. O filme nos acompanha o resto do dia, na cama à noite, antes de dormir, e no dia seguinte também.

Um desses filmes é Invasões bárbaras, de Deny Arcand. Outro, eu assisti em DVD recentemente: O escafandro e a borboleta, de Julian Schnabel, diretor que passou pelas artes plásticas antes de se dedicar ao cinema.

O filme conta a história verdadeira do editor-chefe da revista Elle francesa, que sofreu um derrame aos 42 anos, em 1996, e restou-lhe apenas o movimento do olho esquerdo. Graças a um sistema de comunicação que combina as letras do alfabeto com piscadelas, ele escreve e publica um livro.

Histórias de superação existem aos montes e são inspiradoras. A maneira como é narrado O escafandro e a borboleta é que o torna diferente. Música e imagens se combinam não necessariamente em ordem cronológica para dar uma idéia de como é a vida de Jean-Do, o protagonista. Trechos do livro verdadeiro são o fundo musical dessa história triste, mas que nos remete ao AGORA e ao que fazemos e queremos de nossas próprias vidas.

Repensar a vida em fim de ano faz bem...




quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Travessias

As travessias são períodos muito ricos. E não é verdade que é mais importante a VIAGEM do que alcançar o destino?

A LENDA DAS AREIAS

Vindo desde as suas origens em distantes montanhas, após passar por inúmeros acidentes de terreno nas regiões campestres, um rio finalmente alcançou as areias do deserto. E do mesmo modo como vencera as outras barreiras, o rio tentou atravessar esta de agora, mas se deu conta de que suas águas, mal tocavam a areia, nela desapareciam.

Estava convicto, no entanto, de que fazia parte de seu destino cruzar aquele deserto, embora não visse como fazê-lo. Então, uma voz misteriosa saída do próprio deserto arenoso, sussurrou:
- O vento cruza o deserto, o mesmo pode fazer o rio.

O rio se arremessou contra as areias, sendo assim absorvido, enquanto o vento podia voar, conseguindo dessa maneira atravessar o deserto.

- Arrojando-se com violência como vem fazendo não conseguirá cruzá-lo. Assim desaparecerá ou se transformará num pântano. Deve permitir que o vento o conduza a seu destino.

- Mas como isso pode acontecer?

- Consentindo em ser absorvido pelo vento.

Tal sugestão não era aceitável para o rio. Afinal de contas, ele nunca fora absorvido até então. Não desejava perder a sua individualidade. Uma vez a tendo perdido, como se poderia saber se a recuperaria mais tarde?

- O vento desempenha essa função - disseram as areias. - Eleva a água, a conduz sobre o deserto e depois a deixa cair. Caindo em forma de chuva, a água novamente se converte num rio.

- Como posso saber que isto é verdade?

- Pois assim é, e se não acredita, não se tornará outra coisa senão um pântano, e ainda isto levaria muitos e muitos anos; e um pântano não é certamente a mesma coisa que um rio.

- Mas não posso continuar sendo o mesmo rio que sou agora?

- Você não pode, em caso algum, permanecer assim - retrucou a voz. - Sua parte essencial é transportada e forma um rio novamente. Você é chamado assim ainda hoje por não conhecer sua parte essencial.

Ao ouvir tais palavras, certos ecos começaram a ressoar nos pensamentos mais profundos do rio. Recordou vagamente um estágio em que ele, ou uma parte dele, fora transportada nos braços do vento. Também se lembrou, ou lhe pareceu assim, que era isso o que devia fazer, conquanto não fosse a coisa mais natural.

E o rio elevou então seus vapores nos acolhedores braços do vento, que suave e facilmente o conduziu para o alto, e para bem longe, deixando-o cair suavemente tão logo tinham alcançado o topo de uma montanha milhas e milhas mais distante. Porque tivera dúvidas, o rio pôde recordar e gravar com mais firmeza em sua mente os detalhes daquela sua experiência. E ponderou: - Sim, agora conheço a minha verdadeira identidade.

O rio estava fazendo seu aprendizado, e as areias sussurraram:

- Nós temos o conhecimento porque vemos essa operação ocorrer dia após dia, e porque nós, as areias, nos estendemos por todo o caminho que vai desde as margens do rio até a montanha.

E é por isso que se diz que o caminho pelo qual o Rio da Vida tem de seguir em sua travessia está escrito nas Areias.


terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Presente


Ontem é história. Amanhã é mistério. Mas o dia de hoje é uma dádiva. Por isso se chama: PRESENTE.



sábado, 29 de novembro de 2008

Para onde vai o dinheiro do futebol?

Não entendo nada de futebol, então, alguém me explique: para onde vai o dinheiro que o time ganha quando vence uma partida?

Neste sábado pela manhã, fui ao Clube do Flamengo, na Gávea, assistir a um campeonato de futebol infantil. Meu filho jogou contra um time de Piracicaba (SP). Os garotos vieram de ônibus ontem à noite, dormiram em hotel e apareceram hoje às sete da manhã cheios de gás, vestindo camisas com o nome do patrocinador. Jogaram pra caramba, pegaram de surpresa o time de garotos da Zona Sul e ganharam de 5X0. Vexame...

Os pais mais inflamados culparam o técnico e começaram a se organizar para ir juntos à coordenação de esporte, reclamar. Mas de repente, alguém lembrou: "Pô, mas o salário do cara tá três meses atrasado..." De fato, diante dessas circunstâncias, reclamar como? Com que autoridade?

Após o jogo, fui caminhar pelo clube e entrei no ginásio onde treinam as atletas olímpicas Jade Barbosa e Daniele Hipólito. Montes de gentes se empurravam para ver as estrelas saltarem e pularem. Muito bonito mesmo. Mas os equipamentos todos rotos, esfarrados, uns gatos dormindo aqui e acolá (adoro gatos, mas acho que não deviam estar ali naquele momento).

Mais adiante, ruínas de obras abandonadas, uma quadra de futsal coberta de água pela metade, formando uma poça gigante que deve ser o paraíso dos mosquitos da dengue. Socorro!!! O Flamengo é o time que mais ganha campeonatos, patrocinado pela Petrobrás, a maior empresa brasileira. Como se explica?

Saí de lá chateada com a precariedade, com o descaso e a falta de incentivo aos atletas, músicos, escritores, enfim, a todos os artistas brasileiros. Parabéns amplo, total e irrestrito a Jade e Daniele, e a todos que como elas persistem e continuam brilhando, apesar de tudo.

Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome... (Gente, de Caetano Veloso)


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

The streets of Rio de Janeiro

Passei os dois anos e meio mais recentes indo do Leblon a São Cristóvão às 9h da manhã e voltando à Zona Sul às 20h, às vezes, às 22h. Mesmo trajeto todos os dias, mesmos horários, de segunda e sexta, sem parar...

Há um mês, estou trabalhando em home office (como se diz de forma chique, hoje em dia, trabalhar em casa). Duas a três vezes por semana, tenho que me afastar do escritório para reuniões, compromissos, eventos etc. Saio pelas ruas do Rio de Janeiro e me admira a alegria, as cores, a variedade de gente e de acontecimentos pulsando o tempo todo. Quer dizer, a vida continua lá fora, sempre continuou, só que eu não via.

Não sei quanto tempo vou ficar em home office; por enquanto, estou gostando muito! E como são especiais essas minhas excursões pela cidade. Nada demais, só ver bairros, paisagens e pessoas que fiquei 2 anos e meio sem ver. Elas existem! Estavam aí o tempo todo!

Lembro de Philadelphia, antigo filme em que Tom Hanks morre de aids. A abertura é a câmera passeando pelas ruas da cidade e as pessoas - vendedores, porteiros, crianças - acenam de longe. Enquanto isso, Bruce Springsteen canta The streets of Philadelphia... Sutilmente, vem a mensagem: a vida continua. A gente morre, mas tudo continua. Que bom!


segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A biblioteca de Carlos

Na semana passada, conheci a biblioteca de Carlos Drummond de Andrade. Não pedi, não planejei, aconteceu. De repente, eu estava entrando no apartamento no Posto 6, Copacabana, onde o poeta morou boa parte da vida, desde o início da década de 60 até falecer, em 1987.

A biblioteca inteira cabe em um pequeno quarto, mais parte de uma estante em outro quarto. Muitos volumes encadernados com capas de couro e letras douradas. Uma quantidade menor de livros comuns, edições antigas, algumas das quais reconheci, pois meu pai possuía esses mesmos livros em sua própria biblioteca.

Um álbum de retratos chegou às minhas mãos e vi fotos da família que remontam aos tataravôs. Muito bem guardadas e conservadas. Imagens de Itabira, terra natal do poeta, onde uma colina foi transformada nos dias de hoje em um grande buraco - é o que me informaram - graças a uma mineradora.

E mais: Drummond bebê; muito jovem, o rosto fino semelhante a caricatura que fez de si mesmo mais tarde; com a esposa de toda a vida, Dolores; com a filha Maria Julieta criança, loura, linda; com os netos bebês e adolesentes; na companhia de amigos como Lygia Fagundes Telles, Manuel Bandeira, Pedro Nava, Fernando Sabino, Helio Pellegrino, Paulo Mendes Campos...

De tudo, o que mais me impressionou foi o tamanho da biblioteca: pequena. Diferente de outras bibliotecas de escritores contemporâneos ou intelectuais que tive a oportunidade de conhecer, com estantes do chão ao teto repletas de camadas e camadas de livros, uns por cima dos outros. Como se acumular fosse garantia de apreender seu conteúdo.

A biblioteca de Carlos ocupa pouco espaço. Mas aposto que o poeta leu cada um daqueles livros, do início ao fim.





domingo, 23 de novembro de 2008

A amizade

Todos os dias, antes de dormir, rezo com meus filhos. Primeiro, agradeço por todas as coisas boas do dia e da nossa vida. As menores coisas. Enumero as ocorrências do dia para que relembrem pequenos detalhes do que aconteceu, com a intenção de que tomem consciência de que tudo correu bem, e que valorizem isso. Não sei se dá muito certo, mas faço assim mesmo.

Depois, os abençôo pedindo tudo de bom: saúde, paz, amor, luz, sorte, alegria... Outro dia, meu filho me interrompeu, me puxou para junto dele, já deitado, e disse baixinho no meu ouvido: "Amizade". Ah é, amizade!...

Percebi que nunca pedia "Amizade". Talvez porque eu tenha muitos amigos, graças a Deus. Mas passei a refletir sobre esse atributo e, naturalmente, vieram a vontade e as oportunidades de estar com amigos que não vejo faz tempo, que moram longe, com quem dificilmente falo... Mas quando falo, parece que engatamos o papo de ontem.

Assim, em Ouro Preto, estive com Celia e Cadu, casal de amigos cariocas que moram em Mariana, com quem viajei ao Nordeste na época da faculdade, até o Ceará, 24 horas de ônibus pra ir, mais 24h pra voltar. Uma experiência dessas fortalece a amizade para sempre...

No feriado de Zumbi, minha casa se encheu de gente, amigos de variadas procedências. As conversas me fizeram refletir e tomar decisões que já davam voltas na minha cabeça, sem se esclarecer. Nada como uma boa conversa com amigos para as coisas andarem pra frente!

Agora, todos os dias na hora da bênção, eu peço: "Amizade..."




sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Ah, bruta flor do querer

Vicky Cristina Barcelona, do Woody Allen, me lembrou a canção O quereres, de Caetano Veloso. Afinal, o que queremos? Sair por aí arriscando, colecionando experiências, assumir o desassossego inerente ao ser humano? - e isso me lembra também O livro do desassossego, do Fernando Pessoa. Ou escolher um dos moldes que a sociedade nos oferece, se enquadrar nele e ficar ali quietinhos até que uma reviravolta da vida nos jogue pra fora? - ou não, como costuma dizer o nosso Caetano, pois ainda existe a possibilidade de ficarmos pra sempre encaixados, e não sei se isso é bom ou pessimamente ruim.

Já fui Vicky, hoje sou mais Cristina, nunca fui María Helena. E vocês, homens e mulheres? Vão assistir ao filme e gargalhar diante das nossas contradições, tão bem espelhadas em Javier Barden, Penélope Cruz e Scarlett Johansson.

E vamos ouvir Chico e Caetano cantando O quereres, pra inspirar a reflexão.


quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Luz no fim do túnel

Dessa vez não é o trem vindo na nossa direção, como dizia professor meu, mas a chance de uma virada no modelo ameaçador em que vivemos. Ameaçador porque ameaça nossas vidas, a vida de todos no planeta, o futuro das próximas gerações.

A luz é a crise que está todos os dias nas manchetes dos jornais. Vão me criticar: está louca?, com a crise tudo fica pior, os pobres são os primeiros a sofrer as consequências, tudo pára, retrocede... Pois é. Exatamente por isso, há um lado positivo. DESACELERAR. É uma necessidade grande nesse momento. Nós mesmos já incorporamos o termo e, quando vamos tirar férias ou break no trabalhamo, dizemos: tô precisando desacelerar um pouco... O mundo está. De modo que a crise é providencial neste sentido.

A opinião não é só minha. Em entrevista publicada ontem (quarta-feira) no Globo, o diretor geral da Consumer International, Joost Martens, diz: "A desaceleração oferece novas oportunidades para modelar a trajtória da economia mundial. Isso pode ser visto como uma oportunidade única para promover a produção e o consumo sustentáveis, como um meio eficiente de reformar nosso sistema financeiro e colocá-lo de volta nos trilhos, enquanto também tratamos urgentemente da vital questão da mudança do clima." Mandou bem, o cara!

Podemos aproveitar a oportunidade para desacelar internamente também. Como? Não sei, cada um deve saber... Ler mais livros em vez de ver tanta TV, que nos bombardeia com informações; reavaliar a busca por acompanhar todas as modas; pensar duas vezes antes de consumir algo: preciso realmente disso?

Reflexão para o dia...



domingo, 16 de novembro de 2008

Alegria, alegria!

Quando eu tinha 17 anos e algo bem ruim e triste sucedeu em minha vida, recebi um bilhete de um rapaz que morava no mesmo prédio. Era um bilhete de despedida, porque eu ia me mudar. Ele dizia: "eu lhe desejo sorte e que, aconteça o que acontecer, você nunca deixe ir essa alegria que ilumina o seu rosto."

Perdi o bilhete, mas a mensagem ficou no coração. Várias vezes me lembrei dela e ainda me lembro, principalmente nos momentos difíceis.

Agradeço e cultivo a Alegria sabendo que ela é a chama da Vida. Alegria, alegria!




***

"Hare Krishna Hare Krishna, Krishna Krishna Hare Hare, Hare Rama Hare Rama, Rama Rama Hare Hare!"

Domingo, na orla, havia uma parada Hare Krishna. Um pequeno impresso que entregavam explicava tratar-se do festival mais famoso e tradicional da Índia, que celebra a chegada da primavera. "Independente de cor, raça ou fé, simplesmente por contemplar e cantar o mantra Hare Krishna, você poderá sentir uma grande PAZ interior".

Não senti exatamente paz, mas uma grande alegria! Logo na frente, fantasiado de Krishna, com o rosto pintado de azul e peruca ruiva, vinha o bailarino Ciro Barcellos, cujo depoimento está em meu livro Encontros com Deus - 21 personalidades narram sua busca espiritual (Mauad Editora, 1998). Homem de quase 60 anos, forte, sorrisão no rosto, lindo. Alegria pura!

Toda vez que vejo uma parada Hare Krishna, eu canto junto, bato palmas e sinto com todo o meu sêr: alegria!




***

Amiga querida ligou do interior de São Paulo, triste... Pediu tanto a independência financeira, mas ela veio de jeito inesperado, em uma cidade distante dos amigos e da família, onde se sente isolada e sem raízes. Digo que tenha paciência, mas tá difícil...

Como a situação não vai mudar de uma hora para outra, enquanto dias melhores não vêm, eu recomendo que reze e peça : alegria!


Alegria, alegria!



Impressionante e assustador

Nossas rotinas tão frágeis. A suposta segurança em que vivemos. Tudo pode mudar de uma hora para outra, mas seguimos inconscientes disso, talvez porque essa consciência seja insuportável.

Não estou falando de tragédia factual ou de doença que se revela de uma hora para outra, mas de um blockbuster que peguei no fim de semana, a título de curiosidade, e que muito me impressionou: Cloverfield. É um filme de monstro. Mas ainda há como fazer filme de monstro assustador nos dias de hoje? Há, vejamos porque.

O filme estreou nos cinemas há cerca de ano e meio e logo em seguida li artigo de Jorge Coli na Folha de S. Paulo, fazendo uma analogia entre a trama e a queda das torres gêmeas. Interessante! Semana passada, Tom Leão mencionou o título no RioShow do Globo como sendo o melhor exemplar de "falso cinema verdade" - estilo inaugurado pela Bruxa de Blair - até hoje. Resolvi pegar em DVD, até porque adoro os filmes em que os norte-americanos destroem a si mesmos, como Independence Day e O dia depois de amanhã, ambos de Roland Emmerich - o cineasta favorito de Bin Laden, rárárá!

Comecei a assistir procurando aqui e ali os motivos da associação com a queda das torres. O fato é que em nenhum momento é explicado ao espectador o que exatamente está acontecendo, que tipo de criatura assombra a cidade, de onde veio, por que. Ficamos perdidos, desamparados e aterrorizados, tal qual os protagonistas e, provavelmente, tal qual os moradores de NY na ocasião da tragédia.

A câmera nervosa não chega a enjoar e o recurso é usado de forma a enfatizar que pouco antes tudo estava bem, a vida seguia seu curso normal. O final é impactante e faz refletir: hoje vc teve um bom dia? Reze a Deus e agradeça, pois daqui a um minuto tudo pode ser diferente.








sábado, 15 de novembro de 2008

Viver é melhor que escrever

Excelente a entrevista neste sábado, no Caderno B do Jornal do Brasil, com o escritor pernambucano Marcelino Freire. Criador da Balada Literária - evento que promove mesas redondas e bate-papos em livrarias e centros culturais da Vila Madalena, em São Paulo -, ele é a antítese da imagem clássica do escritor que vive enclausurado em seu palácio, cercado de livros e discos, anti-social por natureza, visto que vida social e literatura não combinam.

Eu mesma já escrevi neste blog sobre a necessidade de negar convites para sair e sentar a bunda na cadeira para escrever, mas Marcelino desdiz tudo isso. É o escritor mais querido e social que conheço. A noite de autógrafos do livro mais recente, Rasif - Mar que arrebenta - em setembro, no espaço cultural B_arco, na Vila, durou até altas horas, fila fazendo rococó, hordas e hordas de gentes indo dar abraços e adquirir seu exemplar.

Desde 2006, ele bate nas portas e consegue fundos para a Balada, que acontece na semana que vem, de 20 a 23 de novembro. Este ano terá até Adélia Prado, que dificilmente sai de Divinópolis, no interior de Minas, aonde mora.

Toda essa agitação não atrapalha a escrita? É bem verdade que Marcelino só publicou contos até hoje. E ganhou o Jabuti logo com o primeiro livro, Contos negreiros. Mas ele garante que não. Depois de escrever, sai à cata de leitores. Por isso viaja pra lá e pra cá, em eventos pelo país, e promove a Balada. "Vou bem ficar no casulo, enclausurado? Escritor em redoma só serve pra peidar", diz na matéria que foi claramente respondida por escrito, por email.

Isso me alivia um pouco. Porque sou um ser social, adoro gente, falar, conversar, sair, saber dos outros. Os outros são histórias - que frequentemente desafiam qualquer verossimilhança.

Viver é melhor que escrever.

http://www.baladaliteraria.org/2008/

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mais coisas bonitas que vi e ouvi em Ouro Preto

"Ostra feliz não faz pérola. Ela faz pérola para transformar dor em beleza. A tragédia grega é isso: dor transformada em beleza."
Rubem Alves, escritor mineiro que reuniu a maior platéia da FLOP: 900 pessoas.

"Quando te vi, amei-te já muito antes." Rubem Alves (o cara é bom!), citando Fernando Pessoa

"Quando eu escrevo? Todos os dias ao acordar. Pode ser uma linha, uma palavra, uma página. Seja como for, é um modo de prosseguir."
João Carrascoza, escritor, professor e redator de agência de publicidade em São Paulo, ao ser perguntado sobre "aonde arranja tempo para escrever?"

"Começo a escrever sem saber aonde vou chegar. Tem horas em que minhas mãos trabalham sozinhas, eu as observo se movendo como se não fosse eu. Aos poucos a história surge. Depois, volto e apago o começo, pois era só um aquecimento."
João Gilberto Noll, contando seu processo criativo

"Todos os dias quando acorda, minha filha de 4 anos entra no meu quarto e dança. Eu seria o poeta mais feliz do mundo se conseguisse traduzir em versos a beleza daquela dança." Nelson Saúte, poeta e escritor moçambicano, em debate com colegas portugueses que enfatizavam que a boa poesia só é possível a partir de um mergulho na "dor" e nas "profundezas" humanas etc, etc, etc.

Nuvens de chuva recheadas de relâmpagos sobre os morros da cidade, ainda iluminadas pela luz do sol poente. Era o céu azul escuro ao fundo e as nuvens em tom azulado mais suave, em primeiro plano, acendendo e apagando, acendendo e apagando... Fiquei parada olhando até as primeiras gotas de chuva molharem o meu rosto.

Terraço de uma república de estudantes lotado, música alta, todos dançando e cantando em altos brados: "nem foi tempo perdido... Somos tão jovens!...", do Legião Urbana. Quase fui até lá bater na porta e pedir para entrar.



sábado, 8 de novembro de 2008

A força de uma poesia

Ontem à noite, o escritor Rubem Alvez lembrou trecho do filme O carteiro e o poeta para dar exemplo da força que uma poesia pode ter.

No filme, existe uma senhora, dona de um restaurante, que tem uma neta, uma moça muito bonita. Um rapaz da aldeia é apaixonado por ela e a velha vive a vigiar os dois...

Certa noite, a jovem demora a chegar em casa e a avó fica louca de preocupação. Mal sabe que estão juntos na praia, mas na maior inocência, sem fazer nada demais.

Assim que ela retorna ao restaurante, a avó pergunta:

– Aonde você estava?
A moça conta a verdade.
– Ele fez alguma coisa com você? – continua, sacudindo-a.
– Ele me disse uma poesia...

A velha suspira:
– Então, você está perdida...


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Fórum das Letras de Ouro Preto 2009

O Fórum das Letras de Ouro Preto acontece no Centro de Convenções, na parte baixa da cidade. Em sua 4º edição, o evento cresceu, são 70 autores convidados. Cheguei ontem às 14h, a tempo de assistir à mesa A mulher em Guimarães Rosa e Machado de Assis: há como desvendar o enigma de Capitu e Diadorim? Nenhum autor famoso, mas alguns professores renomados da área de literatura. Uma delas, Marli Fantini, de óculos escuros, encantou o público ao ler trechos de Grande Sertão Veredas intrepretando-os tal qual uma atriz, com graça e paixão. Foi muito aplaudida.

De tudo o que foi dito nessa mesa, ficou para mim a lembrança das comparações feitas pelos autores - Guimarães Rosa e Machado – para descrever os olhos de suas magnas personagens: Capitu tinha olhos de ressaca, que faziam Bentinho temer ser tragado por eles; Diadorim tinha olhos de água dos rios, que mudam de cor dependendo da hora do dia e dos caminhos que percorrem.

Com quem vocês se identificam mais? Acho que sou mais Diadorim do que Capitu...

***

O público que freqüenta o Fórum das Letras é mais universitário, dado o perfil da cidade em que se realiza. Devido a isso, há pouca venda de livros. Após as mesas redondas, dificilmente há a tradicional fila de autógrafos. Afinal de contas, o universitário, normalmente, é um ser duro.

Por outro lado, não existem aqueles papéizinho impessoais da Flip, em que as pessoas escrevem suas perguntas sem identificar. Na FLOP, a platéia tem microfones à disposição para falar à vontade – o que algumas vezes foge do controle da organização do evento.

Hoje pela manhã, um momento bonito. Durante a mesa 1808, a invenção do Brasil, com a presença do best seller Laurentino Gomes, uma senhora negra e idosa, tomou a palavra para dizer que graças ao Fórum das Letras havia retomado os estudos e estava conseguindo ler livros. Agradeceu a presença dos autores e especialmente a Guiomar de Gramont, idealizadora da FLOP, que ficou com os olhos cheios de lágrimas.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Sessão poesia

Fui remexer os armários em busca de um documento perdido e encontrei escritos de 1989 a 1993. Muito interessante reler. Entre eles, esta poesia da qual não me lembrava e que me emocionou:

A minha criança

Pego minha criança
E dou colo
Acalmo o choro
Odor de flor e folha nos cabelos
Já não há lágrimas nos olhos
Ela sorri
Meu sorriso de criança
Quando eu era criança
Covinha no queixo
Vestido em desalinho
Ela sorri
E me abraça:
"Me dá colo?"

Você,
Que fui eu
Que sou eu
Que serei eu
E que precisa crescer
Compreender
Para apaziguar
e não sofrer
Este adulto insano e frágil
Que sou.

Na noite escura,
A luz da minha criança me guia.
O sorriso,
O cheiro de flor e mato
Que busco no dia a dia.
A minha criança sorri.

***
Vamos celebrar a eleição de Barak Obama, pois traz a esperança de que seja diferente.
***
Nesta quinta-feira, viajo ao Fórum das Letras de Ouro Preto. Terei acesso a computador e pretendo atualizar o blog. Até!

domingo, 2 de novembro de 2008

Tudo por dinheiro

"Não somos contra os outros, mas a favor de nós", diz Pablo Lima, do blog Delírios na estrada Rio-Manaus-Brasília (http://umacapitalentrerioemanaus.blogspot.com/), sobre a postagem anterior. De fato, é a lei da sobrevivência, nosso instinto mais primitivo, que nos faz, às vezes, esquecermos que somos seres "humanos".

Ainda influenciada por esse tema, saltou-me aos olhos uma notícia publicada sábado no caderno Prosa & Verso do jornal O Globo. Dizia que após décadas de hesitação o filho de Vladimir Nabokov, Dmitri, resolveu publicar texto inédito de seu pai intitulado O original de Laura. A Alfaguara acaba de adquirir os direitos de publicação da obra do autor no Brasil (antes eram da Cia das Letras) e o livro sairá em 2009. Detalhe: Nabokov morreu antes de terminá-lo e ordenou que fosse destruído.

O que leva um filho a desobedecer o desejo do pai, ainda mais se tratando de Vladimir Nabokov? Pensei com meus botões e concluí na hora: deve estar precisando de dinheiro.

Para quem não sabe, Nabokov é autor de Lolita. Era russo e tornou-se escritor consagrado escrevendo magistralmente em inglês, o que duplica meu respeito por ele.

Outra notícia admirável veio na edição de outubro da revista portuguesa de literatura Ler. Em meio a uma das mais completas reportagens sobre o Prêmio Nobel, surge a informação de que Jean-Paul Sartre recusou a premiação em 1964 argumentando que "um escritor deve evitar a todo custo transformar-se em uma instituição." Até aí tudo bem, foi um escândalo mas a justificativa era pretensamente nobre. O que vem a seguir é que é surpreendente – e pouca gente sabe: um dos membros do comitê do Nobel, em sua biografia, revelou que em 1975 o filósofo francês escreveu uma carta à academia garantindo ter mudado de idéia, pelo menos quanto ao aspecto financeiro! (Atualmente, o Nobel equivale a mais de um milhão de euros).

Ou seja, nem Sartre se salva, estamos todos no mesmo barco, sujeitos às circunstâncias da vida.




Só pra terminar a história, ele não recebeu o dinheiro. A academia alegou que o valor havia sido reinvestido na premiação e que era impossível liberá-lo após tantos anos. Pobre Sartre...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Quando somos FDPs?

O verniz da civilidade é ralo, descasca por qualquer coisa. O Ensaio sobre a cegueira, de Saramago e Meirelles, mostra isso. Basta o homem ser ameaçado em sua segurança e conforto para que as piores coisas venham à tona. Como diz uma sábia amiga, mais velha, "até nós mesmos damos umas escorregadas de vez em quando". Sim, todos nós escorregamos – na m..., fica subentendido.

Recentemente, tive decepção enorme com uma pessoa próxima que julgava minha amiga. Afinal, nós éramos amigos. Mas de repente, tudo mudou. Como uma mudança de canal. Estranho... Procurei entender a origem de seu comportamento, coloquei-me em seu lugar e consegui enxergar que talvez me sentisse de forma semelhante ao que imagino que se sentia – e daí o comportamento estranho. As nossas maneiras de lidar com o desconforto e com a insegurança é que são muito diferentes.

Mas ninguém é santo. Eu mesma, outro dia, em almoço de trabalho, me vi elogiando um colega que emagreceu não sei quantos quilos enquanto ao lado de nós almoçava uma moça bem gordinha. Percebi que ela escutava a conversa e que o teor a incomodava. Mas continuamos o papo e confesso que senti um prazer mórbido com a situação. O almoço terminou, eu e o colega nos levantamos e refleti: "é assim que eu sou má". Porque é claro que, se fosse fácil emagrecer, a moça escolheria ser magra em vez de gorda!

Esse é um post um pouco amargo, um pouco virulento. Mas faz parte do processo de deixar para trás uma relação que um dia foi de confiança e amizade, mas que desandou.

E vocês, quando e como são malvados? Lembrem-se, hoje é Haloween!...




terça-feira, 28 de outubro de 2008

Alguém te querer já é uma grande coisa

– Pois é, Valéria. O problema daquele cara é que ele só queria me levar pra cama!

Eu escutava minha amiga enquanto meu namorado dirigia, carro lotado, voltando de programação noturna. Ela me falava ao pé do ouvido, mas ele escutou. E mais tarde, juntos, ouvi sua opinião.

– Ouvi sua amiga, L. reclamando de um cara que só queria levá-la pra cama. Como assim, "só queria"? Isso já é uma graaande coisa... ALGUÉM te quer, nem que seja só pra levar pra cama...

Hahaha, nunca me esqueço dessa ponderação. E no sábado, encontrei amiga que era atriz mas mudou de profissão, agora é terapeuta. Estava me falando de um dos diretores da clínica onde trabalha, que tem a seguinte teoria: o sexo é uma função vital, uma energia que precisa de vazão, senão causa desequilíbrio e doenças (concordo plenamente!) a menos que seja canalizada para uma atividade criativa.

Segundo este camarada, a nossa fixação no amor romântico só atrapalha as coisas. Ficamos esperando o companheiro ideal e deixamos de fazer sexo quando dá vontade, quando isso é tão natural quanto beber água. Interessantíssimo esse ponto de vista, não acham?

Tudo isso pra dizer que quando alguém quer a gente é bom escutar, sentir, abrir bem os olhos, a boca e, se for o caso, o coração.





sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Bóiacross e a metáfora para a vida

No PETAR, nós fizemos bóiacross. Significa deitar-se de barrriga para baixo sobre uma bóia enorme amarrada de modo a formar um colchão. Vamos deslizando pelo rio tal qual sapos e aprendemos algumas coisas.

1) No início, queremos remar desperadamente com medo de virar, de perder a direção etc. Logo percebermos que não é preciso se movimentar tanto, mas simplesmente deixar-se levar pelas águas... Corrigindo ou pouquinho aqui, outro pouquinho ali...

2) Quanto menos pesados somos, menos chances temos de "enroscar" numa pedra.

3) O rio corre ora calmo e plácido, formando piscinas e lagoas; ora agitadíssimo, sobre pedras bem próximas da superfície. Como a vida... (ainda bem que não chegamos a nenhuma cachoeira!)

Foram 2 quilômetros sobre o rio Bethary. Ao longo do caminho, fui agradecendo a Deus pelo momento maravilhoso, o céu azul, revoadas de pássaros e borboletas, selva e savanas.

Olha o maluco aí embaixo levando o cachorro de carona.







*Foto retirada do site http://www.ecocave.com.br/album-fotos-petar/albumFotos.asp. O guia que nos levou através do PETAR era da Ecocave.

domingo, 19 de outubro de 2008

Quem tem medo de cavernas?

Quando eu falo em cavernas, o que vem à cabeça de vocês?

O que vinha pra mim, antes de eu entrar em uma era: medo. Medo do escuro, medo do que pudesse estar escondido nelas, medo do desconhecido. Mas quando entrei na primeira caverna de verdade, na Chapada Diamantina, Bahia, o que senti foi acolhimento, descanso, sossego. Entendi porque, quando uma pessoa morre e é enterrada, os outros dizem: foi descansar.

A sensação boa ficou na lembrança e por isso, me inspirei a conhecer as cavernas do PETAR – Parque Estadual Turístico do Alto da Ribeira, em São Paulo, encostadinho no Paraná. Longe pra caramba! Não me perguntem por que escolhi esse roteiro. Não sei. Alguma coisa eu tinha que fazer lá. E fiz: enfrentei os meus medos, que resolveram aparecer todos de uma vez. Buuuu!!!

O PETAR é a maior reserva de mata atlântica contínua do país. Ultra bem preservada. Em cima, abundância de água, bichos e natureza exuberante. Embaixo, um queijo suíço. São mais de 300 cavernas, a maioria delas inexplorada. Abertas ao público (trechos), são sete. Fui em todas.

Mas como o momento de vida é outro, bem diferente daquele em que estive na Chapada, logo na primeira caverna, a do Morro Preto (foto1), me bateu uma paúra...






– Mas medo de que? Eu conheço essa caverna como a palma da minha mão... – argumentava o guia.
– Não sei. É algo bem abstrato – eu tentava explicar. Só sosseguei depois que estava do lado de fora, vendo a luz do sol.

Continuamos. Três cavernas no primeiro dia; cada uma, uma emoção. A Santana (foto 2) é considerada a mais ornamentada do país.






No segundo dia, após uma trilha lindíssima no fundo de um cânion margeando o rio Bethary, fomos na Cafezal – e houve nova crise de medo. Isso sem falar que na noite anterior, todos os medos haviam desfilado na minha cabeça: medo de me machucar, de adoecer, de morrer, de perder o emprego, de envelhecer sozinha, de não conseguir realizar os meus sonhos. Mesmo com toda a natureza em volta, dormi mal pacas.

Tudo finalmente mudou dentro da Caverna Água Suja (foto 3, a entrada), que visitamos logo após a Cafezal. São 800 metros de caminhada dentro d´água, em direção ao centro da Terra. Bocarra enorme e um riozinho de água límpida escorrendo lá de dentro. Após a primeira curva, desapareceu a luz do dia e a pequena lâmpada que levamos encarapitada no capacete (obrigatório) mal dava para iluminar os limites do salão aonde estávamos. Brrrr...







Seguimos caminhando, escalando pilhas de enormes pedregulhos, passando através de labirintos de estalactites, túneis de vento geladíssimo, até chegar à passagem para o coração da caverna, onde existe uma pequena cachoeira. Para alcançá-la é necessário atravessar metro e meio de teto baixo, quase rente à água. Temos que nos abaixar e posicionar o rosto exatamente nesse espaço de cerca de um palmo onde dá para respirar. Reclamei, bati pé, disse que não ia, mas todos foram e eu fui também...

A travessia é rápida, mas foi suficiente para promover uma mudança em meu interior. De repente, era como se eu não precisasse fazer força, estava sendo puxada, atraída. E me deparei com a cachoeira, dois metros de queda d´água, uma jóia encrustrada no interior na caverna. Entrei de cabeça, com roupa e tudo. Nada de frio ou paralisia: ação! Fiz minhas preces silenciosas, pedi que me libertasse do medo e pronto. Estava nova em folha.

Voltamos andando muito rápido, para gerara calor, e logo eu estava vendo a luz do sol. Daí em diante, a viagem foi tranquila. (Foto 4, saída da Água Suja)




domingo, 12 de outubro de 2008

Viver para escrever

Nascer para escrever
Aprender para escrever
Tentar para escrever
Querer para escrever
Arriscar para escrever
Sonhar para escrever

Ler para escrever
Ler para escrever
Ler para escrever

Escrever para escrever
Mostrar para escrever
Ouvir as criticas para escrever
Publicar para escrever
Continuar para escrever

Viver para escrever

***

Amigos, estou em semana de ferias, nesta segunda-feira vou para lugar bem distante da civilizacao. Nao creio que terei acesso a computador (quem sabe?). Na volta, contarei as coisas belas e terei visto e vivido. Abracos, ate a volta.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Bourbon Street tonight

Falando em trabalho, na terça-feira fui a São Paulo para o lançamento do livro O País dos Petralhas, de Reinaldo Azevedo, dono do blog de política mais lido do país. (http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/). Estiveram lá o governador José Serra, o prefeito Kassab e o vice Alberto Goldman, e muitas outras celebridades. O programa paulista de humor CQC também esteve e fizeram muitas brincadeiras. Deve ir ao ar na segunda que vem.

Ao fim do evento, exausta, atravessei a cidade e fui encontrar minha querida amiga Rosane, do blog Miojo, e o marido no clube de jazz Bourbon Street (http://www.bourbonstreet.com.br/index.php), em Moema. Cheguei lá mais de meia-noite e havia show da banda The Bad Plus, que tocou no Tim Festival do ano passado. Os caras fazer versões jazzísticas de clássicos do rock: Nirvana, Neal Young e outros. Muito bom!

Ao fim do show, o dono da casa veio se sentar na nossa mesa. E durante mais de uma hora – todo mundo meio pra lá de Marrackesh, mais de cansaço do que de qualquer outra coisa –, ele contou a história da abertura do Bourbon Street, que nasceu há 15 anos de uma conversa de mesa de bar. O tempo parou e todos ficamos ouvindo, um comentário aqui, outro ali, enquanto os olhinhos do homem brilhavam.

Após alinhavarem um lindo projeto todo feito à mão, porque naquela época não se usava computador como hoje, os dois sócios viajaram a New Orleans, para pedir patrocínio ao governo local. Jogaram muita conversa fora com as autoridades e voltaram com uma carta (!) de apoio e nenhum tostão no bolso.

Compraram uma casa antiga, investiram todo o dinheiro que tinham na reforma e ampliação. Quando a plata acabou, os parentes entraram como sócios. Quando isto não foi suficiente, foram aos bancos e empenharam tudo: carro, apartamento, etc. O show de abertura tinha que ser grandioso. Fizeram uma lista das pessoas que desejavam: Joe Cocker, Nina Simone, B.B. King... Mas todos os empresários, ao ouvir que se tratava de um clube novo, no Brasil, diziam: Não!

Graças a um golpe de sorte, B.B. King vinha para uma turnê na América Latina contratado por outro empreendimento. Na hora H, com passagens compradas e tudo, o cara deu pra trás com o cachê e... B.B. King acabou no Bourbon Street. Ou melhor, começou. Tudo começou com B.B. King no Bourbon Street! E a guitarra que o mestre deixou de presente está exposta bem na entrada, como um troféu por todo o trabalho duro que rende frutos há 15 anos!

Na hora de ir embora, me despedi do homem agradecendo por ter compartilhado comigo aquele relato; ele passou as mãos nos cabelos, sorriu, e por um momento vi seus olhos marejados de lágrimas.

Abaixo, a Bourbon Street original, em New Orleans.



domingo, 5 de outubro de 2008

Biblioterapia

Deu no Publish News http://www.publishnews.com.br/index/default.asp :

Talvez você fique duas horas no trânsito para ir a um trabalho que odeia. Talvez você tenha filhos pequenos e só sobrem cinco minutos de vez em quando para ler. Talvez você esteja para embarcar em uma viagem de três semanas para a Amazônia e busque um livro que fale de tudo sobre o destino. Tudo o que o aflige e tudo o que o encanta. Nós vamos encontrar a receita de leitura certa para você. É assim que a School of Life (literalmente, Escola da Vida) define a "biblioterapia", projeto lançado no início deste mês em Londres. A idéia é a seguinte: o cliente preenche uma ficha com informações sobre sua história, suas aspirações e seus hábitos e, a partir de uma consulta com um especialista, recebe indicações de leitura que o ajudem a enfrentar uma nova fase, encarar uma etapa importante ou simplesmente aproveitar um momento da vida. Uma sessão custa 35 (R$ 120), mas pode-se escolher um contrato de cinco meses, em que o biblioanalista acompanha suas leituras e troca informações por e-mail, por 50 (R$ 170).

Adorei essa história. Acho que eu gostaria de me consultar com um biblioanalista, pra ver o que ele tem a dizer. Mais ainda, acho que daria uma boa profissional nessa área. Já pensou?

Isso me faz lembrar crônica do jornalista português João Pereira Coutinho, colunista da Folha de S. Paulo, cujo delicioso livro Avenida Paulista sairá pela Record em 2009. No texto Como Jane Austen pode mudar sua vida (e olha que eu nem gosto da Jane Austen), ele garente que Orgulho e preconceito é capaz de curar todos os males do amor. Porque os personagens Elizabeth e Darcy se odeiam à primeira vista e só com o tempo começam a aceitar o amor que sentem um pelo outro. Diz João Coutinho:

O amor assusta mais do que todos os fantasmas que habitam o coração humano (...) O amor não sobrevive aos ritmos da nossa modernidade. O amor exige tempo e conhecimento. Exige, no fundo, o tempo e o conhecimento que a vida moderna de hoje não permite mais (...) A nossa frustração em encontrar o "amor verdadeiro" é apenas um clichê que esconde o essencial: o amor não é um produto que se compra para combinar com os móveis da sala. É uma arte que se cultiva. Profundamente. Demoradamente.

Salve, João! Se pudesse, eu o escolheria para meu biblioanalista.

E vocês, o que pensam dessa nova terapia? Que livro indicariam para curar qual mal? Vão dizendo que eu vou anotando...

sábado, 4 de outubro de 2008

Saúde, trabalho, felicidade

Achei curiosa a escolha e a ordem das palavras escritas a pilot sobre uma prancha de ímã, colada na geladeira da casa do meu sobrinho. Ele tem pouco menos de 40 anos e é um legítimo self made man carioca. Quer dizer, nasceu em berço esplêndido mas quando chegou à maioridade a família já havia perdido todo o dinheiro. Restava uma casa enorme, meio caindo aos pedaços, no Itanhangá.

Nessa casa ele e dois colegas, companheiros de surf nas ondas da Barra da Tijuca, começaram um negócio. Uma agência de publicidade. O negócio foi crescendo, crescendo, e hoje a Script é uma das mais bem conceituadas agências do Rio, quiçá, do Brasil. http://www.scriptonline.com.br/home/index.php

A casa caindo aos pedaços foi totalmente reformada e serve de moradia para ele, a esposa – empresária do ramo da moda – e os dois filhos de 4 e 2 anos. Eu sou muito orgulhosa desse meu sobrinho!

Venho refletindo muito sobre essa questão do trabalho pois estou numa fase de mudança, buscando melhorar de vida, crescer, prosperar. Todo mundo quer isso, mas tem gente que pensa em outras formas de ganho: loteria, casamento, sei lá! Para mim, por causa da minha história de vida, é importante que essa riqueza e properidade venham do meu trabalho.

Ao ler as palavras escritas com pilot vermelho na porta da geladeira, percebi que ali estava a receita de prosperidade do meu sobrinho, cuja "eficácia" é visível para qualquer um. E pensei:

1) Saúde – Eu tenho, graças a Deus!
2) Trabalho – Reclamo à beça do meu chefe, um capricorniano obcecado que chega na empresa antes de todo mundo e é o último a sair. Mas ele me ensina a pôr o trabalho na frente de tudo, e reconheço que esse aprendizado me faltava, e que quando almejamos os melhores resultados isso é necessário.
3) Felicidade – Palavra genérica que inclui sorte no amor, paz interior, família saudável e unida etc, etc, etc. Meu sobrinho é muito prático! Aliás, é capricorniano também.

Sendo aquário com ascendente peixes e lua em gêmeos, eu deveria estar vivendo em uma comunidade no interior, cultivando a terra... Será? Escolhi outro caminho. E vamo que vamo!

Segue trailer da comédia O amor não tem preço, disponível em DVD, que fala da busca da riqueza e properidade e nos faz refletir sobre POR QUE e PARA QUE queremos isso.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Eu gosto de cobras

Já me encontrei com elas algumas vezes.


A primeira, quando fui fazer matéria do tipo "O que fazer ao ser picado por uma cobra etc" para a revista onde trabalhava, recém-formada. Fui ao Instituto Vital Brasil, em Niterói, onde se fabrica veneno anti-ofídico, e entrevistei o herpetologista (cientista especializado em répteis) Anibal Melgarejo. Ele me levou à sala das serpentes – venenosas, claro – e tirou várias das gaiolas. Pude acariciar cada uma delas com toda calma do mundo e fiquei admirada com a textura aveludada de sua pele. Fui embora sabendo muito sobre cobras e ganhei de presente um marcador de livros coberto com pele de serpente, que tenho até hoje.


A segunda, quando fazia uma caminhada desde Laranjeiras, em Paraty, até a Praia do Sono (onde caiu o helicóptero que levava Ulisses Guimarães). No meio do caminho entre uma praia e outra – percurso que só pode ser feito a pé – dei de cara com uma coral (verdadeira ou falsa, quem vai saber?) Ela estava a um metro de distância de mim, no chão. Minha amiga M., que viajava comigo, evaporou. Mas eu fiquei ali, parada, olhando-a e ela a mim. Três minutos depois, ela deu meia volta e entrou no mato. Pronto, seguimos viagem. Mas foi um encontro marcante e inesquecível.


A terceira, na Disney. Num show do Animal Planet, me ofereci como volutária da platéia. O apresentador vendou meus olhos e perguntou no meu ouvido: "você tem algum problema com cobras?" Respondi: "não." Em seguida, senti um peso sobre o meu colo e tiraram minha venda. Uma enorme serpente descansava sobre as minhas coxas. Acariciei-a feliz da vida e isso rendeu ótimas fotos.


A quarta vez foi no domingo passado. Na festa infantil do meu sobrinho-neto (uma longa história para explicar porque tenho sobrinhos-netos, um dia eu conto), eles contrataram um biólogo que levou bichos. Chinchila (fofa!), sapo cururu (maravilhoso!), lagarto, iguana e...



quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A pedra pintada pelas crianças... é bem melhor

Neste mês de outubro de 2008, comemora-se 80 anos do poema No meio do caminho tinha uma pedra, de Carlos Drummond de Andrade, do livro Alguma poesia (Ed. Record).

Para celebrar, realizamos um evento na Praça N. Sra. da Paz, em Ipanema, no sábado passado, 27/9. Compartilho com vocês algumas imagens desta manhã feliz. Vale dizer que o sol apareceu somente durante o evento, depois voltou a chover. Graças a São Pedro e São Cosme Damião.











No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 28 de setembro de 2008

A arte de dar um fim às coisas

Isso (o título) é algo que aprendi com a maturidade. Porque antes, por falta de confiança em mim, por medo ou por falta de “culhões” mesmo (hoje o mundo exige essa nova parte anatômica das mulheres), eu tinha dificuldade em tomar atitudes – principalmente no campo afetivo. Ia deixando rolar, rolar, embalada por pensamento mágico do tipo: tudo vai se encaminhar, a vida vai arrumar as coisas...

Mentira. Tem horas em que a gente tem que se posicionar. Se não fazemos isso, levamos a pior. Porque diante da nossa inércia, os outros tomam as atitudes que querem da forma que querem. E a gente fica pra trás, comendo poeira, tendo que se adaptar à nova situação escolhida por outra pessoa. Ruim!...

Tomar uma decisão sozinha requer muita coragem... Será que é o melhor pra mim? E se eu estiver enganada? E se eu estiver jogando fora o grande amor da minha vida?... Mas aí a gente tem que lembrar e valorizar nós mesmos. Acho que saberemos reconhecer o grande amor das nossas vidas quando ele surgir, certo?

E tomar a iniciativa de uma atitude radical não implica em sofrer menos. Vamos sofrer, sim... Mas é um outro tipo de sofrimento: não somos vítimas, somos os protagonistas da história. Uma baita responsabilidade, mas assim vamos crescendo e nos afirmando como adultos, donos da nossa vida e do nosso destino.

Assim vou, com fé!

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

À maneira de Deus ou à maneira dos homens?

Até mesmo entre as flores, há diferença de sorte.
Umas enfeitam a vida, outras enfeitam a morte.

Perto do meu trabalho tem uma maternidade. Todos os dias, há um desfile de mães com seus bebês recém-nascidos no colo. São mães de baixa renda, pobres, mas não miseráveis.

Outro dia, vi uma cena diferente: um homem carregando o filho recém-nascido no colo com todo cuidado, todo orgulhoso, e a mãe atrás, gordinha, ainda inchada do parto, carinha simpática, feliz. Pensei: esse bebê tem sorte. Esses pais vão cuidar bem dele.

Logo em seguida, outra mãe: magra, seca, andando devagar, olhar perdido, braços frouxos, o bebê pendurado... Outro menino magrinho agarrado à barra da saia. Pensei: pobres crianças...

Isso me faz lembrar uma história de Nasruddin que eu adoro, mas que deixa muita gente indignada. É mais ou menos assim:

Quatro garotos se aproximam de Nasruddin e entregam a ele uma bolsa cheia de doces.

"Nasruddin, nós não conseguimos dividir esse doces entre nós. Pode nos ajudar?"

Nasruddin coça a barba e pergunta:

"Vocês querem que eu faça a divisão à maneira de Deus ou à maneira dos homens?"

As crianças se entreolham e respondem em uníssono:

"À maneira de Deus!"

Nasruddin abre a bolsa e entrega duas mãos cheias de doces à primeira criança, uma mão cheia à segunda, dois doces à terceira e nenhum à quarta.

"Nasruddin, que tipo de divisão é esta?", perguntam atordoados.

"Bem, meninos, é à maneira de Deus. Ele dá muito a algumas pessoas, pouco a outras e nada a alguns. Se vocês tivessem pedido que eu fizesse a divisão à maneira dos homens, eu daria mais ou menos a mesma quantidade de doces a cada um".


Tirem suas próprias conclusões, bom fim de semana!


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Senhor, tende piedade de nós

A oração que repeti tantas vezes no domingo à noite, quando ia à missa na adolescência, veio espontaneamente aos meus lábios hoje de manhã, enquanto esperava o ônibus que me leva na segunda etapa da viagem até o trabalho. A editora fica em uma rua em S. Cristóvão onde não mora ninguém, onde não passa ninguém, igual ao antigo samba.

Hoje no ponto de ônibus no local aprazível chamado Cancela, onde a calçada de pedestres deve medir pouco mais de seis palmos, havia uma amostra de cada um dos problemas que acometem os seres humanos em sua jornada sobre a face da Terra.

Perto de mim, uma mulher carregava nos braços a filha de uns 7 anos, vítima de paralisia cerebral. A menina bem arrumada, limpinha, cabelos cheios de trancinhas enfeitadas com laços de fita. Os pezinhos nus, pois, deformados, não comportam sapatos comuns. E a mãe carregava aquela filha com tanto carinho, tanta abnegação...

Ao meu lado, um homem negro de uns 35 anos fazia cara de sério, mas estava completamente bêbado. Lutando para manter-se ereto no mesmo lugar. E olha que eram 9h45 da manhã.

Na minha frente, uma mulher corcunda. A coluna retorcida, o tronco medindo a metade do comprimento das pernas. Mas firme e forte, esperando o ônibus que a levaria a algum lugar.

E lá vem um menino negro, sorriso no rosto, calçado com tênis com o dobro do tamanho dos seus pés, vestido com moleton sujíssimo e rasgado. Vinha mexendo com todo mundo, dando beijos nos braços das mulheres, sendo repelido e achando graça. Uns 10 anos, sozinho. Esse me deu um aperto no coração...

Meus olhos se encheram de lágrimas, olhei o céu branco, nublado, sobre a minha cabeça, e me veio aos lábios: Senhor, tende piedade de nós.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Mamma mia!

You can dance, you can jive, having the time of your life, uhuu, see that girl, watch that scene, dig in the Dancing Queen...

Eu tinha uns 8 anos e essa música tocava nas rádios, e eu ouvia muito o rádio. Cantava, dançava sozinha no quarto, nas festinhas, na casa do meu pai, que tinha o disco do Abba. (http://pt.wikipedia.org/wiki/ABBA).






O tempo passou e uma mulher teve a bela idéia de aproveitar as canções de letras elaboradíssimas do grupo sueco e adaptá-las para um musical. Assim surgiu Mamma mia!, que estreou em Londres em 1999 e é sucesso da Broadway desde 2001. Agora, o espetáculo chegou aos cinemas na forma de um filme delicioso, divertidíssimo, que faz as pessoas rirem e saírem da sala escura felizes da vida. Andamos sedentos de assistir a coisas leves, que nos alegrem a vida. O resultado é que Mamma mia! é a primeira bilheteria em todo o brasil pela segunda semana consecutiva.

O filme narra a história de uma jovem que vai se casar e resolve convidar o pai. Mas ela não sabe quem é, foi criada somente pela mãe. Escarafunchando um diário da genitora, descobre que ela transou com três moços na mesma época, 20 anos atrás, e qualquer um deles pode ser seu pai. Escondida da mãe, resolve convidar os três para a festa. E começa a confusão.

Meryl Streep, quase sexagenária, interpreta uma mulher com pouco mais de 40, canta, dança, pula, abre as pernas no ar. Um colosso! Pierce Brosnan, antigo 007, canta mal mas é uma simpatia. E Colin Firth, o eterno namorado da Bridget Jones, está um gaaaato!

O melhor é que a trama, apesar da leveza e da alegria, tangencia com precisão várias facetas da relação mãe e filha. Fui assistir com minha filha, com quem vinha tendo umas rusgas, e o filme coroou um fim de semana de reconciliação. Muito bom!!! Vão assistir correndo e me falem!

Por enquanto, vão aprendendo a cantar Dancing Queen, a mais famosa canção do grupo – injustamente classificado como cafonérrimo –, neste karaokê que encontrei no YouTube.


sábado, 20 de setembro de 2008

Imagens da natureza

Quarta-feira passada, fui à Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, às 10 horas da manhã. Era o primeiro dia de sol após quatro dias de chuva intensa. O chão da praça estava todo elameado, cheio de poças, tive que andar com cuidado para não escorregar e me estatelar no barro.

O motivo da visita é evento que vai rolar no dia 27, sábado que vem, em comemoração aos 80 anos do poema "No meio do Caminho", de Carlos Drummond de Andrade. A partir das 9h30 da manhã, haverá arte educadora e recreadoras orientando as crianças a pintar pedrinhas redondas – por coincidência vindas de Minas, terra do Drummond –, e contadora de histórias acompanhada de violonista. Vamos distribuir balões, chocolates Garoto (apoiador) e marcadores de livros com o poema.

Tudo isso para dizer que no final da visita, enquanto procurávamos um ponto de luz para viabilizar a instalação de amplificadores de voz, a arte educadora me alertou: "olha que coisa linda!"

Numa grande moita de cedrinho, ainda coberta de gotículas da chuva que caíra durante a noite, o sol incidia e acendia dezenas de minúsculas bolinhas de Natal. Ou minúsculas lantejoulas coloridas. Ou minúsculas partículas de arco-íris. Pequeníssimas luzes vermelha, amarela, azul, verde, cintulando sob o sol brilhante que afastava as nuvens naquela manhã de quarta-feira. Ficamos eu e a moça paradas, estáticas, encantadas com aquele espetáculo particular. As outras pessoas se distanciaram e nós ficamos ali. "Nossa, eu nunca tinha visto isso...", ela balbuciou. "Nem eu", respondi baixinho.

Meu celular não tem máquina fotográfica, nem o dela, então, não pudemos registrar. Mas essa vai ficar marcada na memória, junto com outras imagens maravilhosas que tive a oportunidade de presenciar em minhas andanças pelo mundo, quando em contato com a natureza.







E vocês, qual imagem maravilhosa da natureza gostariam de relatar? Deve haver várias, mas a primeira que vem à memória é...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Três voltas de pérolas

A noite de sábado foi iluminada, linda. Chegamos à sinagoga às 16h30. Fica no início da Barra da Tijuca, junto à Pedra da Gávea. É um bairro residencial e em volta só vemos florestas e a pedra imponente. Nos vigiando e acalmando.

Minha filha desenhou sua própria roupa. De shantung de seda em tom de azul um pouco mais escuro que turquesa. Ajudei somente a comprar o pano. Ela foi à costureira, encomendou, orientou e apareceu com um vestido de corpete justo, de onde partiam umas pregas largas. Muito chique e diferente. Na hora de escolher as jóias, perguntou: "Você tem pérolas?"

Pensei com meus botões e lembrei do colar de pérolas da vovó Violeta, minha querida avó que está no céu há muito tempo. "Mas são três voltas, minha querida. Talvez um tanto pesado para uma menina de 13 anos". "Deixa eu ver..." E, de repente, minha avó estava presente no Bat Mitzvá. Em três voltas de pérolas envolvendo o delicado pescoço da minha filha. Essa garota tem muita personalidade. Êita capricorniana arretada, sô!

As duas horas de cerimônia transcorreram sem eu sentir. Estava tão envolvida nas rezas, nos cantos, que são lindíssimos, nas palavras do rabino, que não vi o tempo passar. Ele fez uma homenagem às famílias das meninas (minha filha fez junto com uma colega da escola), e depois as próprias batmitzvandas declararam porque escolheram este caminho.

Os momentos mais emocionantes, sem dúvida, foram quando ela carregou a Torá, dando uma volta no recinto, e a bênção do rabino, com seu manto aberto sobre todos nós: eu, ela, o pai e o irmão. Senti que minha filha foi realmente abençoada por toda a vida!

Depois, fomos todos para a festa em um clube no Leblon. Muito funk – é isso que eles gostam de ouvir –, mas sem proibidão! E os meus amigos, como sempre, desde sempre, sendo a minha família. Não tenho pai, avós ou irmãos, minha mãe tem a vida tão limitada. Mas um milhão de amigos, eu tenho. E assim, bem mais forte posso cantar.

sábado, 13 de setembro de 2008

Frivolidades e grandes emoções

Numa semana em que as coisas se acumularam para acontecer todas juntas, garantindo grandes emoções, resolvi escrever sobre frivolidades, para a mão não pesar muito... Então, vamos lá:

Indicação de revista

Aqui em casa, nós somos fãs da Vogue RG (http://www.rgvogue.com.br/). Faz um ano que compramos quase todo mês e os motivos são vários. É uma revista com muita informação sobre as novidades ultrafashion que acontecem no mundo. Revista de perua! Mas as reportagens são ultra bem escritas, nada caretas, e assim ficamos sabendo da última moda em Paris, Londres, Nova Iorque e outros lugares um pouco distantes, mas que procuro manter sempre na mira. Pés no chão e cabeça nas nuvens, certo?

A edição deste mês (Adriane Galisteu na capa) traz perfil do dono da grife de roupas de malha super simples e super em alta nos EUA, American Apparel. Além da história do case de sucesso, a matéria conta que o empresário Dov Charney costuma trabalhar de cueca samba canção e suas peças têm certificado de produção sustentada. Ou seja, nada de usar mão de obra de criancinhas da Asia, como a Gap foi flagrada recentemente fazendo – e alegou que "não sabia"!

Tem também perfil de Natalie Klein, filha do dono das Casas Bahia, jovem discretíssima que levanta um império da moda em São Paulo, a NK Store, que se prepara receber – e vender – a grife Marc Jacobs, pela primeira vez no Brasil.

E mais: ensaio fotográfico com a diretora artística de acessórios da Chanel pelada, os seios enormes e nada turbinados; editorial de moda sobre jóias, as peças expostas em acessórios de cozinha (anéis lindíssimos em mãos cobertas por luvas de lavar louça!!!); as últimas páginas sempre têm fotos das festas mais quentes no Rio, SP e lá fora, e ainda a seção Anos Dourados, com flagras do jet set dos anos 50, 60 e 70. Neste número: Jorginho Guinle, Carmen Mayrink Veiga e Odete Lara em festas no Copa Palace, uns 40 anos atrás. Um barato!

Indicação de filme

Lemon tree, longametragem israelense que consegue ser comercial sem ser enlatado, muitíssimo bem feito e bem interpretado. Conta a história de uma mulher palestina, viúva, que mantém um limoeiro há mais de 50 anos, plantado por seu pai. Um belo dia, o ministro da defesa de Israel se muda para a propriedade vizinha e o serviço secreto decide que é preciso derrubar as árvores, pois podem esconder terroristas. Aí, começa uma epopéia ao mesmo cômica e triste, com direito a um romance no meio. Muito bacana!






***

Hoje é o dia do bat mitzva da minha filha de 13 anos. Não sou judia, mas o pai dos meus filhos é. Ninguém é muito religioso, mas ela escolheu seguir o caminho dele por "uma questão cultural" (suas própria palavras).

Na quinta-feira, houve uma espécie de batismo, pois só quem nasce de um ventre judeu pode ser considerado assim, e ela precisou se converter. Foi muito emocionante. Primeiro, na presença do rabino (Nilton Bonder), teve que aceitar uma série de preceitos como "Você tem consciência de que isto que está sendo feito agora não pode ser desfeito? Nunca poderá renegar sua fé?" e "Você sabe que os judeus foram perseguidos ao longo da história da humanidade e que volta e meia isso torna a acontecer, e que pode acontecer novamente?" Ela respondeu sim a tudo.

Depois, ficamos sozinhas eu, ela e uma ajudante da sinagoga. Ela tirou toda a roupa, ficou nua, e fazia muito tempo que eu não a via nua, ela não deixa. Vi as formas de seu corpo de mulher surgindo meio tímidas, meio desajeitadas, mas ela já é uma mulher. Então, ela entrou na piscina, chamada mikva, e havia uma luminosidade muto bonita, às 10 horas da manhã, filtrada através de tijolos de vidro translúcido. A ajudante abre uma espécie de fonte de onde jorra água colhida da chuva. E após receber a água desde a cabeça, ela mergulha três vezes, tirando os pés do chão, dizendo uma reza enquanto submersa.

Saiu da piscina e me deixou enxugá-la. A ajudante nos deixou a sós. Passei a toalha na superfície do seu corpo em transformação, o mesmo que eu banhei e enxuguei tantas vezes quando ela cabia nas palmas das minhas mãos. Muita querida filha! Que Deus a abençoe e proteja! Mil vezes!!!

Hoje tem mais emoções... Depois eu conto.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Problemas

Não faça a sua felicidade depender do que não depende de você.

A frase figurava em um banner na entrada da clínica de terapias alternativas onde, em algum lugar do passado, fiz formação em massagem ayurvédica.

Procuro sempre me lembrar disso e repito essa frase aos amigos que teimam em vincular sua felicidade a questões alheias a sua vontade e poder. Aliás, a maioria dos problemas estão desvinculados da nossa vontade e poder. Podemos fazer a nossa parte no sentido de resolvê-los, mas são tantas variáveis influindo – inclusive aquelas que a gente nem sabe que existem – que eles têm vida própria – e morte também, graças a Deus!

Como costumava dizer um velho amigo, "A gente pensa que resolve os problemas, mas eles se resolvem sozinhos".

Lógico que os pequenos problemas do cotidiano são mais fáceis de solucionar: ir ao banco, fazer compras, limpar a casa. Mas há também os grandes, que demandam tempo. Ficam encostados em um canto, sabemos de sua existência mas tentamos esquecer porque incomodam, doem, perturbam. De repente, alguma coisa chama nossa atenção para eles e reaparecem em toda sua potência. Cruuuuzes! E o pior: não se resolvem de uma hora pra outra. Temos que aguardar... A vontade dos céus.

Já tive alguns problemas assim na minha vida. Por exemplo, tive que esperar mais de 10 anos para receber o dinheiro da venda de um imóvel; o caso foi parar na justiça. No início, vinculei a minha felicidade e a resolução de várias questões – como a compra da casa própria – ao recebimento desse montante. Quando a grana finalmente saiu, eu já havia comprado a bendita casa própria por outros meios.

Assim, quando um desses big problemas reaparece – e eu fico cega, surda e muda; a garganta e a cabeça doem; o bom humor vai pro espaço; nem de escrever no blog tenho vontade – me recordo de outro ditado, enigmático:

A recompensa da paciência é a paciência...

Também recordo a história da tradição oral sufi, Fátima a Fiandeira, que convido todos a ler... E a refletir. http://www.caravansarai.com.br/ConFatima.htm




sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Fazer gente feliz

Muitas vezes eu me questiono sobre a minha vida profissional. Acho que todo mundo faz isso. Porque as coisas não costumam sair exatamente como a gente havia planejado ou sonhado.

Há cerca de 6 anos, quando comecei a realmente me empenhar em migrar do jornalismo para o mercado editorial, minha meta era me tornar editora. Já havia editado revistas e uma página em um jornal (Religião & Fé, em O Dia, 1997-1998). Queria editar livros.

Mas eis que a primeira editora que me acolheu, a Campus/Elsevier, especializada em livros de Negócios e Desenvolvimento Pessoal, reservara para mim um cargo no meio do caminho entre o marketing e o editorial: gerente de autores. Uma espécie de RP responsável por eventos também.

Depois da Campus, vim parar na Record, onde estou há 2 anos e meio. No início, iria cuidar somente de noites de autógrafos, palestras de autores etc. Mas graças ao know how adquirido na outra editora e a vários empurrõezinhos da vida – além do esforço pessoal –, meu trabalho cresceu e apareceu, e hoje cuido não só disso, como também faço a ponte entre os autores e as feiras nacionais e internacionais, vinda de autores estrangeiros ao Brasil, além de eventos grandes, como nunca imaginei que fosse capaz de realizar.

Um deles aconteceu nesta terça e quarta-feira (2 e 3/9) na Estação Central do Metrô Rio. Montamos um palco ao lado da biblioteca popular que funciona no local, contratamos som, músicos e atores para ler trechos de Vidas secas, clássico de Graciliano Ramos, que está completando 70 anos de publicação.
Passei a semana em função disso, corri pra lá e pra cá, fiquei sem almoçar até tarde, ontem estava exausta! Mas no fim das contas, constatei: meu trabalho é fazer gente feliz. Vejam:
A atriz Mel Lisboa está grávida, sem fazer novela, de bobeira em casa. Mas subiu em um palco, foi vista por dezenas de pessoas, deu autógrafos, saiu em matérias no Estado de S. Paulo, G1 e outros veículos importantes. Apareceu! http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL745549-5606,00.html




Cerca de 60 crianças da rede pública, de escolas nas redondezas, mataram aula, ganharam autógrafos, receberam livros de presente, tiraram fotos com artistas. Um dia diferente! Com cultura ao vivo e a cores!





Dois músicos que contratei em cima da hora, por terem repertório de música nordestina, tocaram em altos brados, com toda garra e alegria, ajudaram a juntar gente, teve até dança! Eles ainda sortearam um CD para o melhor dançarino e tiraram fotos com a vencedora, uma senhora que passava pelo local e acabou ficando. Nada disso estava no "script".






Essas são apenas algumas facetas desse evento que correu maravilhosamente bem, e que tornou a vida de muita gente mais alegre, mesmo que por breves momentos. E não foi responsabilidade só minha, não – nunca é. Quando a gente trabalha com eventos, o imponderável está presente o tempo todo. Temos que rezar com fé e mãos à obra!

Por isso, quando às vezes eu me angustio com os rumos que a minha vida toma, lembro que por enquanto está tudo bem. Enquanto eu estiver fazendo gente feliz – e isso me faz feliz também, claro – tudo estará bem.

domingo, 31 de agosto de 2008

Inteligência e bom humor

Diálogo com um amigo muito querido que deseja mais, e que andou lendo o blog:

– Você disse que anda querendo ver Deus...

– Ver Deus? De onde tirou isso?

– Lá daquele post onde diz que quando a gente faz sexo com amor, Deus aparece.

– Ah...

– Pô, não serve um São Francisco aqui, não?

Hehehe... Inteligência e bom humor contam muitos pontos numa conquista, não acham? Pelo menos na minha opinião...

sábado, 30 de agosto de 2008

Sabedoria de índio

Situação: uma amiga-irmã fica com um cara duas vezes, mas está carente e acaba se afeiçoando. O camarada deixa claro que não quer namorar, mas é receptivo, correspende etc. O terceiro encontro acaba não acontecendo, porque ele tira o corpo fora. Ela fica chateada, mas segue em frente.

Ontem à noite, na porta do no Circo Voador, pouco antes de encontrá-la para assistirmos ao show da Marisa Monte e a Velha Guarda da Portela, aparece o cara de mãos dadas com outra mulher. Feia, vulgar, infinitamente inferior à minha amiga-irmã (e eu não estou sendo "coruja, é a pura realidade). Cumprimentei e não dei conversa; eles se afastaram. Lá pelas tantas, chega minha amiga-irmã toda feliz, nos abraçamos e beijamos, confraternizamos com outras amigas em comum, reunidas para o show. Entramos no Circo.

Cinco minutos depois, minha amiga-irmã me puxa pelo cotovelo: "O fulano está aí com outra mulher, né?" Levei um susto. "Como vc sabe? Vc viu?", perguntei. "Não, a cicrana me contou..."

Fiquei bastante contrariada. Péra aí: contar pra que? Minha amiga-irmã estava toda feliz, alegre, animada. O Circo Voador lotado. Não vislumbrei o tal fulano sequer uma vez mais, nem de longe. Questionei a cicrana – que por acaso é outra amiga-irmã – e ela: "Ora, tem que contar! Se fosse eu, queria que me contassem!"

Pensei com meus botões e me lembrei de uma entrevista que li há muito tempo, com um índio de uma etnia que não me recordo o nome. Ele dizia algo mais ou menos assim:

"A diferença entre nós e o homem branco, é que ele quer deixar marcas por onde passa. Monumentos, grandes obras. Conosco é o contrário. Quanto menos marcas, quanto menos interferências, melhor."

Não sou índio, mas à medida que envelheço e amadureço, percebo que quanto menos tento interferir no curso da vida e das situações, mais aprendo com elas. São lições inesperadas a todo momento, dádivas, que observo e aproveito de acordo com meu momento interior. Não significa ser passiva ou mosca-morta, mas acho que tem a ver com uma certa sabedoria que venho cultivando. Pode ser que daqui a pouco eu mude de idéia e de opinião, mas de uns dois anos pra cá tenho praticado isso e me sinto mais leve, livre e feliz.

Por isso, eu não contaria à minha amiga-irmã. Pelo menos não naquele dia e hora, talvez depois.

Talvez.