sábado, 15 de novembro de 2008

Viver é melhor que escrever

Excelente a entrevista neste sábado, no Caderno B do Jornal do Brasil, com o escritor pernambucano Marcelino Freire. Criador da Balada Literária - evento que promove mesas redondas e bate-papos em livrarias e centros culturais da Vila Madalena, em São Paulo -, ele é a antítese da imagem clássica do escritor que vive enclausurado em seu palácio, cercado de livros e discos, anti-social por natureza, visto que vida social e literatura não combinam.

Eu mesma já escrevi neste blog sobre a necessidade de negar convites para sair e sentar a bunda na cadeira para escrever, mas Marcelino desdiz tudo isso. É o escritor mais querido e social que conheço. A noite de autógrafos do livro mais recente, Rasif - Mar que arrebenta - em setembro, no espaço cultural B_arco, na Vila, durou até altas horas, fila fazendo rococó, hordas e hordas de gentes indo dar abraços e adquirir seu exemplar.

Desde 2006, ele bate nas portas e consegue fundos para a Balada, que acontece na semana que vem, de 20 a 23 de novembro. Este ano terá até Adélia Prado, que dificilmente sai de Divinópolis, no interior de Minas, aonde mora.

Toda essa agitação não atrapalha a escrita? É bem verdade que Marcelino só publicou contos até hoje. E ganhou o Jabuti logo com o primeiro livro, Contos negreiros. Mas ele garante que não. Depois de escrever, sai à cata de leitores. Por isso viaja pra lá e pra cá, em eventos pelo país, e promove a Balada. "Vou bem ficar no casulo, enclausurado? Escritor em redoma só serve pra peidar", diz na matéria que foi claramente respondida por escrito, por email.

Isso me alivia um pouco. Porque sou um ser social, adoro gente, falar, conversar, sair, saber dos outros. Os outros são histórias - que frequentemente desafiam qualquer verossimilhança.

Viver é melhor que escrever.

http://www.baladaliteraria.org/2008/

6 comentários:

Pablo Lima disse...

tmb gostei, mas não troque os meus convites por noites em frente ao editor de texto! (:

Denise do Egito disse...

Não acho que escrever dependa de sair, buscar histórias, se inspirar. Há escritores "enclausurados" e há os sociais como ele. Cada um com seu talento, seu temperamento, sua personalidade, sua história de vida. No céu há milhares de estrelas e todas brilham.
Um beijo

Monica Loureiro disse...

Acho que :
"Escrever é encontrar histórias nos encontros da vida"

Saindo a gente tem mais chance de ouvir mais histórias, conhecer mais gente, etc...

Valéria Martins disse...

Tens razão, Deni. Mas é que a maioria dos escritores que conheço é do tipo enclausurado. Eu mesma acho que para escrever DE VERDADE é preciso silêncio e introspecção. Mas é difícil...
Beijoca

Calabresa disse...

Que tal uma fusão?
Um pouco dos dois estilos seria interessante...
Bjsss

Sarah disse...

Então Valéria, a inspiração foi nos fatos cotidianos mesmo, com um toque de imaginação..
Quanto ao seu último post, acho que precisamos de silêncio e experiências para poder escrever. Eu já sou mais emoção, gosto de conhecer lugares e gente nova, conversar, saber de histórias, para mim, o contato com o outro, a realidade do outro me fascina!
Um beijo