sexta-feira, 26 de setembro de 2008

À maneira de Deus ou à maneira dos homens?

Até mesmo entre as flores, há diferença de sorte.
Umas enfeitam a vida, outras enfeitam a morte.

Perto do meu trabalho tem uma maternidade. Todos os dias, há um desfile de mães com seus bebês recém-nascidos no colo. São mães de baixa renda, pobres, mas não miseráveis.

Outro dia, vi uma cena diferente: um homem carregando o filho recém-nascido no colo com todo cuidado, todo orgulhoso, e a mãe atrás, gordinha, ainda inchada do parto, carinha simpática, feliz. Pensei: esse bebê tem sorte. Esses pais vão cuidar bem dele.

Logo em seguida, outra mãe: magra, seca, andando devagar, olhar perdido, braços frouxos, o bebê pendurado... Outro menino magrinho agarrado à barra da saia. Pensei: pobres crianças...

Isso me faz lembrar uma história de Nasruddin que eu adoro, mas que deixa muita gente indignada. É mais ou menos assim:

Quatro garotos se aproximam de Nasruddin e entregam a ele uma bolsa cheia de doces.

"Nasruddin, nós não conseguimos dividir esse doces entre nós. Pode nos ajudar?"

Nasruddin coça a barba e pergunta:

"Vocês querem que eu faça a divisão à maneira de Deus ou à maneira dos homens?"

As crianças se entreolham e respondem em uníssono:

"À maneira de Deus!"

Nasruddin abre a bolsa e entrega duas mãos cheias de doces à primeira criança, uma mão cheia à segunda, dois doces à terceira e nenhum à quarta.

"Nasruddin, que tipo de divisão é esta?", perguntam atordoados.

"Bem, meninos, é à maneira de Deus. Ele dá muito a algumas pessoas, pouco a outras e nada a alguns. Se vocês tivessem pedido que eu fizesse a divisão à maneira dos homens, eu daria mais ou menos a mesma quantidade de doces a cada um".


Tirem suas próprias conclusões, bom fim de semana!


9 comentários:

Pâmela disse...

Hum, não acho que seja escolha de Deus o que cada um tem na vida.
Acho que é uma consequência dos atos da humanidade como um todo.
Não acredito que Deus seja o 'culpado' porque uns têm tanto e outros têm tão pouco. Para Deus, todos seríamos bons, felizes e teríamos o necessário para viver. mas nós escolhemos diferente. Nós e todos os outros. E as consequências dessas escolhas são o mundo como está hoje. Como esteve ontem e como estará amanhã. Deus nos deu o livre-arbítrio e as nossas escolhas influenciam todo o mundo. Para o bem ou para o mal.
É nisso que acredito.
Beijos!
Ótimo fim de semana! ^^

Ita Andrade disse...

Acho que se esse mundo material tivesse algum valor aos olhos de Deus ele não permitiria que seus inimigos o desfrutassem nem na medida de um grão de mostarda...
Creio que a pobreza seja vontade de Deus mas a miséria é escolha dos homens.
Creio tambem, Valeria, que mais rico é quem menos precisa..
Adorei o post
Valeu!!!

Monica Loureiro disse...

Achei um tanto quanto triste ,mas ajuda a fazer pensar..

Amo os seus Posts !

Pablo Lima disse...

concordo com a mônica, o lance do texto é fazer pensar e nos obrigar a tirar boas e diferente conclusões!

Denise do Egito disse...

Nossa, tentei comentar sobre o texto, mas não saiu... Talvez não seja o momento certo.
Nos vemos mais tarde.
Beijocas

Valéria Martins disse...

Falei que era polêmico... Beijos em todos e boa semana!

Claudia Goulart disse...

Acho que Deus sabe o que cada um deve merecer e qual fardo deve carregar?!??!

Aproveito pra te perguntar o nome da maternidade a que vc se referiu, porque hoje, uma amiga estava me falando de doações que gostaria de fazer para mães que tivessem dado a luz a pouco tempo.
Muita coincidência vc falar justo sobre isso!
bj

Ines disse...

Cada um tem o que merece.

MELISSA S disse...

Nasruddin é senscional, né? Tb adoro! Bem, eu não acredito em Deus. Pelo menos não Deus como um ser único e supremo. Mas a mensagem é legal. E a justiça é possível, afinal? Bjs