quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Bourbon Street tonight

Falando em trabalho, na terça-feira fui a São Paulo para o lançamento do livro O País dos Petralhas, de Reinaldo Azevedo, dono do blog de política mais lido do país. (http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/). Estiveram lá o governador José Serra, o prefeito Kassab e o vice Alberto Goldman, e muitas outras celebridades. O programa paulista de humor CQC também esteve e fizeram muitas brincadeiras. Deve ir ao ar na segunda que vem.

Ao fim do evento, exausta, atravessei a cidade e fui encontrar minha querida amiga Rosane, do blog Miojo, e o marido no clube de jazz Bourbon Street (http://www.bourbonstreet.com.br/index.php), em Moema. Cheguei lá mais de meia-noite e havia show da banda The Bad Plus, que tocou no Tim Festival do ano passado. Os caras fazer versões jazzísticas de clássicos do rock: Nirvana, Neal Young e outros. Muito bom!

Ao fim do show, o dono da casa veio se sentar na nossa mesa. E durante mais de uma hora – todo mundo meio pra lá de Marrackesh, mais de cansaço do que de qualquer outra coisa –, ele contou a história da abertura do Bourbon Street, que nasceu há 15 anos de uma conversa de mesa de bar. O tempo parou e todos ficamos ouvindo, um comentário aqui, outro ali, enquanto os olhinhos do homem brilhavam.

Após alinhavarem um lindo projeto todo feito à mão, porque naquela época não se usava computador como hoje, os dois sócios viajaram a New Orleans, para pedir patrocínio ao governo local. Jogaram muita conversa fora com as autoridades e voltaram com uma carta (!) de apoio e nenhum tostão no bolso.

Compraram uma casa antiga, investiram todo o dinheiro que tinham na reforma e ampliação. Quando a plata acabou, os parentes entraram como sócios. Quando isto não foi suficiente, foram aos bancos e empenharam tudo: carro, apartamento, etc. O show de abertura tinha que ser grandioso. Fizeram uma lista das pessoas que desejavam: Joe Cocker, Nina Simone, B.B. King... Mas todos os empresários, ao ouvir que se tratava de um clube novo, no Brasil, diziam: Não!

Graças a um golpe de sorte, B.B. King vinha para uma turnê na América Latina contratado por outro empreendimento. Na hora H, com passagens compradas e tudo, o cara deu pra trás com o cachê e... B.B. King acabou no Bourbon Street. Ou melhor, começou. Tudo começou com B.B. King no Bourbon Street! E a guitarra que o mestre deixou de presente está exposta bem na entrada, como um troféu por todo o trabalho duro que rende frutos há 15 anos!

Na hora de ir embora, me despedi do homem agradecendo por ter compartilhado comigo aquele relato; ele passou as mãos nos cabelos, sorriu, e por um momento vi seus olhos marejados de lágrimas.

Abaixo, a Bourbon Street original, em New Orleans.



5 comentários:

Monica Loureiro disse...

Cara, adoro estas histórias !
Como sou uma empresária ( micro, para falar a verdade) que começou do nada, estas histórias sempre me motivam....Obrigada você por ter compartilhado conosco....

Fernanda Campos disse...

Oi Valéria,

Adoro o Bourbon Str de Moema... Nem parece SP1 Campinas poderia ter mais lugares assim também...

Abraços!

Pablo Lima disse...

sou fã do reinaldo desde o tempo em que ele eidtava a BRAVO!
e sou seu fã desde sempre!

Carolina disse...

Que bacana esta história, valéria. Persistir e acreditar no nossos sonhos é o que nos leva pra frente.
bjos meus

Rosane Queiroz disse...

Oi Valéria

voce resumiu a historia direitinho. também fiquei inspirada.

e aquela turma daquela noite apareceu no Che final de semana passado
foi legal!

beijos