quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O Dia do Perdão

Ontem foi o Dia do Perdão. Não o Yom Kippur, que os judeus comemoram logo após o Ano Novo judaico, geralmente em outubro. Mas o dia do meu perdão.

A missa da Margô levantou uma enorme nuvem de poeira dentro de mim. Uma tempestade de areia! Apesar do fim de semana de alegria e diversão com meus filhos e minhas amigas, meu interior era um caldo em ebulição. Lembranças, questões que andavam esquecidas ou adormecidas, que eu julgava enterradas, mas que reapareceram. Desconfio que quando o defunto não tem um velório satisfatório, ou não é pranteado o suficiente, fica semi-adormecido atrás de uma parede e, de vez em quando, faz: Buuuuu! Cruzes! É assustador!

Como segunda-feira é um dia propício a fantasmas, eles reapareceram para alertar que é preciso encará-los mais uma vez, sem medo, e mandá-los dormir para sempre! Fiquem lá no passado, que é o seu lugar!

Li uma entrevista com a cantora Elza Soares na revista Trip, faz uns dois anos, em que ela dizia que o segredo de sua alegria e vitalidade é nunca olhar para trás. Difícil? Sim. Mas desse jeito, essa mulher que perdeu dois filhos, passou fome, carregou lata d´água na cabeça, sobreviveu, toca uma carreira de sucesso e tem um companheiro 30 anos mais novo.

No meio da poeirada toda, eu estava pedindo perdão a Deus, mais uma vez, pela minha ignorância, quando veio a Luz: seria eu capaz de me perdoar? Conceder o perdão a mim mesma, pelos meus tropeços e enganos; pelo que, segundo meu julgamento, fiz errado?

Pois bem, essa era a meta. Acordei cedo, fui caminhar na praia e durante uma hora – enquanto respirava fundo o ar marinho, admirava o céu azul, os coqueiros cheios de coquinhos novos e o dia que amanhecia –, perdoei a mim mesma. Me concedi o perdão. Fui perdoada.

Que alívio!...

Vocês, que lêem este post, desculpem se lhes causo algum desconforto. Se isso acontecer, é sinal de que é preciso perdoar alguma coisa. Sempre há algo a ser perdoado. E esse "algo", na maioria das vezes, pode ser nós mesmos.

9 comentários:

Cardume Design disse...

Querida, muitas vezes eu preciso me perdoar também...e isso é muitas vezes mais difícil do que alguém fazer por vc.
E como sempre, vc fala de um jeito que toca na gente também.
Vai lá no meu blog, ontem saiu uma entrevista minha pra outro blog de moda, a Meninas da Chocolate. Se tiver tempo me diz se gostou!
Beijos, Ana

Tatiana disse...

Faz um tempo, me deram uma noventena pra fazer. Noventa dias rezando para me libertar de amores distorcidos, em todos os níveis.
Era reza comprida e eu ainda tinha que rezar um terço todinho. Isso me ensinou a disciplina espiritual porque eu tinha que rezar todo dia, sem falta, na mesmo horário.
A reza começava assim..
" Eu sou a luz do perdão..."
Uma noite percebi que o perdão que eu precisava dar e receber era o meu mesmo. Levei um susto. Meu próprio perdão batia nas portas de minha alma e eu não esperava essa visita.Fiquei com aquela cara abestalhada de quem não espera a visita inusitada.
Pedi que entrasse, sentasse à mesa, fiz café e chorei pela razão certa. Coisa que não sabia que sabia fazer.
Perdão é libertação.
E todo mundo nasceu pra ser livre, né?
Um beijo pra você e obrigada pela sua visita.
Volte sempre...

Valéria Martins disse...

Talvez tenha faltado dizer que se a gente errou, é porque não sabíamos... Se soubéssemos, não teríamos feito daquele jeito. Teríamos feito o melhor, e desse ponto de vista, fizemos. Complicado? Acho que esse é o caminho para se desculpar. E procurar aprender as lições!

Marcia Regis disse...

Tem uma afirmação positiva que aprendi em um livro e que foi a mais dificil entre todas para recitar me encarando olho por olho no espelho.. é assim "Perdôo a todos, perdôo a mim mesma, perdôo todas as coisas do passado - sou livre!". Perdoar é tornar-se livre. bjs

Pâmela disse...

É a primeira vez que visito seu blog, mas vou dar minha opinião: sim, o perdão mais difícil de conseguir é o nosso próprio. Que bom que você encontrou o seu, poucas pessoas conseguem isso.
Gostei muito do blog, pretendo voltar.

Pâmela disse...

Hehehehehe. Brigada!
Olha, quanto à rave, quando eu fui, nem cerveja bebi. É muito bom! Pra mim, funciona assim: você fecha os olhos e sente a música. Sério, pode parecer loucura, mas não precisa de mais nada. Nem cerveja. E o mais legal é que ninguém te olha dançando, então você pode dançar como quiser, porque é cada um na sua. Meio que uma bolha, sabe? Fomos eu e mais uma amiga só. Tinham momentos em que ficávamos mais de hora sem falar uma com a outra. Muito diferente, muito legal. Saímos de lá oito horas da manhã, podres de dançar. Mas felizes até. Nunca dancei tanto. E sem me cansar. Mas confesso, nesse dia, tomamos Red Bull... hehehehe.
Maio de 68? ADORO! Acho o máximo o que aqueles jovens fizeram. E concordo com você, nós (os jovens de hoje) não nos interessamos por política, queremos mesmo estabilidade e só. O que é uma pena, porque vários antes de nós já provaram que podemos SIM mudar o rumo das coisas. É difícil, mas é possível. Somos mesmo é acomodados.
Brigada pela visita!
Vamos trocando idéias, nada melhor do que a blogosfera para isso. =D

Pablo Lima disse...

minha cara, ainda falta um tanto para eu alcançar este nível; o crescimento é gradativo e é preciso subir muito degraus...

Denise do Egito disse...

Estou em pleno processo de perdão a mim mesma. Espero conseguir...

Menina de óculos disse...

Eu cheguei por acaso ao seu blog e me deparei com esse texto sobre perdão. Eu tenho problemas tbm em me perdoar. Mas tô na luta quanto a isso...quem sabe eu consiga em breve. E,então,eu também poderei escrever um texto assim como o seu ... tão agradável e sincero.

Abraços!