sábado, 9 de agosto de 2008

As ondas

Essas ondas de que falo não são as da Virginia Woolf, não. São as ondas dentro da gente que está em busca de um amor. Todos estão em busca de um amor, certo? Uns, do amor perdido. Outros, do amor por vir. E os que dizem que não o estão buscando, desconfio que se chamuscaram tanto com um amor passado que preferem ficar quietinhos, sem correr riscos. Pior assim.

Faz alguns anos, entrevistei para a Marie Claire um homem chamado Marcelo. Era o boom dos sites de paquera na internet e me mandaram ir atrás de alguns depoimentos.

Marcelo se casou cedo e logo teve filhos. Menos de 10 anos depois, o casamento acabou e ele se viu sem um círculo de amizades, pois quando todos ainda estavam saindo para paquerar, namorar e casar, ele já cuidava de duas crianças pequenas.

Andava meio sem eira nem beira quando um colega do trabalho sinalizou: entra internet! A princípio incrédulo, ele entrou. "No item que perguntava que tipo de mulher eu procurava, pensei bem e concluí que sempre havia tido a fantasia de sair com uma ruiva".
"E você encontrou a ruiva?", perguntei.
"Uma, não. Várias..."

Seguiram-se anos e anos de encontros fortuitos, trepadas fortuitas. Havia épocas em que Marcelo saía cinco vezes por semana. Alguns períodos eram tão intensos que ele chegava a "falhar".

"De vez em quando batia um vazio tão grande e eu pensava: tenho que encontrar alguém. Chega desse troca-troca. Dava um tempo, me recolhia em casa, prometia a mim mesmo que iria encontrar essa pessoa, esse amor. Mas ele não aparecia e eu voltava à vida de antes".

Me emocionou muito o relato desse homem que, no fim das contas, encontrou através da própria internet uma moça mais velha, que nunca havia se casado e ainda morava com os pais. Depois de três encontros, ele percebeu que era ela que estava buscando. Casaram-se e os filhos dele, do primeiro casamento, foram o casal de pajens na cerimônia religiosa – com direito a vestido branco, véu comprido, igreja, padre e tudo o mais. Não sei se estão juntos até hoje, mas é provável que sim.

Lembrei essa história ao refletir sobre as ondas internas, o dilema de quem está em busca de um amor e, de vez em quando, cansa de procurar ou de esperar. Melhor se recolher, ficar quieto e esperar a chegada da pessoa especial? Ou ir à luta, se expor ao troca-troca, ao risco de se chamuscar, mas pelo menos em movimento, procurando, farejando, apostando... Sei lá!

Acho que é preciso respeitar o movimento interno, obedecê-lo. As ondas.






8 comentários:

Pâmela disse...

É, acredito que precisamos correr o risco de nos chamuscar. Mas, às vezes, ficar um tempo sozinhos, em casa, é tudo que precisamos para colocar a cabeça no lugar.
E, quem sabe, trancados em casa, só trabalhando, sem sair para festar, ou procurar amor algum, o próprio amor não nos encontra? Porque dessas coisas não dá pra fugir e não escolhemos quem vamos amar. Mesmo quem não quer amar, de alguma forma, acaba se apaixonando. É impossível fugir do amor. Mesmo quando a gente quer.

Carolina disse...

Acho que a vida é isto, um ir e vir igual as ondas, às vezes nos arrebentamos com elas e só paramos de cara na areia e muitas vezes elas nos fazem boiar, mergulhar fundo e descobrir lugares misteriosos e lindos.
Fora isto acredito que, em certos momentos,vale avançar e em outros a estratégia de retirada faz a diferença. Temos períodos que precisamos 'ficar de molho" e outros que estamos preparados para a "vitrine".
Agora que não se desista do amor jamais, de todas as formas e jeitos, porque ele nos guia e principalmente nos dá liberdade de ser, por inteiro.

Amei visitar teu blog. Vou vir sempre! Teus textos são mel!

Ita Andrade disse...

Oi Valeria!
Obrigada pela delicadeza de sua visita, por ter me linkado no seu blog tambem. Dei uma rapida passada no seu texto e sei o suficiente para saber que vou voltar.Ñão vou comentar nada agora pq não estou inspirada. Mas ate que nos encontremos novamente, possa Deus guarda-la na palma de Sua mão.

Denise do Egito disse...

Às vezes chamuscar, às vezes aguardar... Ir seguindo com as ondas do coração interno...

Bjs

Pâmela disse...

Muito obrigada!
Sim, o caso de Juliana é puramente insegurança.
Mas não tenho liberdade para dar uma direta dessas nela. Não é tão minha amiga assim e não sabe lidar muito com críticas...
Vamos ver quanto tempo ainda aguentaremos o ego dela... hehehe.
Bjo!
Bom começo de semana. =D

Anônimo disse...

A idéia de ondas é interessante. Mas seguir ao sabor das ondas pode nos levar de encontro as pedras, logo é muito prudente, como o Marcelo fez, baixar uma âncora e parar para refletir. Foi numa dessas ancoradas que encontrei meu marido e que além de maravilhoso é super educado!!! Ha,ha, ha!!
Beijos,
Ana

Valéria Martins disse...

Querida Ana, eu sei que é bem verdade o que vc diz. Super-Maurício!!!
Beijoca, Deus abençoe este lindo casal!

Lily disse...

Acho que deve existir um meio termo! Eu descobri que dificilmente será nessa vida de balada, troca-troca, enfim... que eu encontrarei alguém especial.
Claro que você pode dar uma sorte, mas acredito que, dependendo do lugar onde vc estiver, deve ter 1 (ou 2, o 3 no máximo) pessoas especiais pra serem conhecidas! Fora que tais pessoas podem não ter a aparência que vc deseja, então, na night, vc vai querer, em sã consciência, ficar com um cara menos bonito?? Então, menos chances ainda de encontrar alguém especial...

Por isso q eu agora tb estou selecionando os lugares q eu vou e a minha postura em tais lugares, qndo o objetivo é conhecer pessoas... E acredite: está dando certo! Desde a abordagem dos caras, até os finalmentes!
Parece que depois que eu me resolvi quanto a isso, as pessoas que apareceram querem algo além do banal, do superficial! Por mais q vc naum se interesse por elas, vc vê q o tipo de relação que você tem com tais "pretês" é diferente.
É verdade que o nº é bem menor, mas a qualidade aumentou bastante!

Beijos!