terça-feira, 20 de maio de 2008

Bailinho II – A missão

Domingo à noite, tudo calmo nas ruas, nada de jogo do Flamengo. Enquanto todas as famílias se reúnem para comer pizza e assistir ao Fantástico eu me produzo toda, mini-saia preta, salto alto, brilho nos olhos e na blusa. Aonde vou? De volta ao Bailinho – a missão. Meio insegura, pois na primeira vez em que me aventurei era feriado no dia seguinte, Tiradentes. Amanhã não tem feriado e começa uma semana curta porém imprevisível, como tudo na vida. Mas já combinei com minha amiga E., fiel frequentadora, e lá vamos nós.

Entramos no salão escuro e enfumaçado e já está cheio. São 21h de domingo e ainda bem que o Bailinho começa cedo. No início muita mulher, uma mulherada patriçada, e me pergunto se não fiz bobagem, se o lugar já estragou e não é o mesmo daquele primeiro domingo com feriado na segunda. Mas que nada, a noite avança um pouco, bebo uma cerveja e rostos masculinos começam a aparecer. Mas confesso que não dá pra ver quem é bonito ou feio, e também não importa, porque o DJ Rodrigo Penna emburaca com seus sucessos improváveis, intercalando músicas bacanas com pérolas bregas. Hits dessa noite: Don´t let me be misunderstood, do Santa Esmeralda e Garota dourada, de... Esqueci! Mas cantei junto até me esgoelar. E os artistas da noite: Luana Piovani, linda e desacompanhada; o mutante Gabriel Braga Nunes, muito mais bonito pessoalmente do que na TV; Otávio Müller e a esposa grávida, barriga enorme.

Passam por nós uma garota e um cara com a camisa do Bailinho, caneta e papel nas mãos. É o serviço de Torpedos. Não vejo ninguém interessante, mas tô a fim de brincar. "Pode mandar pro DJ?" "Poooode!" diz a moça, que usa arco com antenas de pompom. Escrevo: "Quero te ver sem boné..." (ele usa bonezinho). Dali a 5 minutos, o DJ Rodrigo Penna tira o boné. Eu e E. caímos na gargalhada!

Noite mais adiante e a clientela do lugar se mescla de um jeito que começo a achar que sou hetero demais para estar lá. Mas é só relaxar e curtir o melhor do lugar: o clima de paquera ampla, geral e irrestrita. Todo mundo paquera todo mundo, dança com todo mundo, sem distinção de idade, cor ou, muito menos, de sexo. E ficar com alguém não é o mais importante!

Uma moça dança com um rapaz que parece gay, eles vêm dançar perto de mim e começam a se beijar. Tô na minha, o rapaz se afasta e a moça puxa conversa comigo, muito simpática. Mas... decido ir ao banheiro. Fui!

Danço de costas para a parede, tem um cara atrás de mim. De vez em quando dou uma pisadinha no pé dele, sem querer, claro, e peço desculpas. De repente ele me agarra, me vira e me enche de beijos. Beijo bom, vigoroso, gostoso! Me aperta, me solta e desaparece. Fico meio tonta... Então tá, né?

A noite continua, já são meia noite, tenho que ir embora, amanhã tem trabalho, mas dá uma dó!... Vem uma menina baixinha, bonitinha e começa a dançar na minha frente. Me oferece bebida do seu copo e aceito, sem graça. Oferece de novo, recuso. E., que dança perto de nós, vai ao banheiro e a menina pergunta: "Essa aí é sua amiga, é?" Respondo sem titubear: "É!" A mocinha se despede...

Chega uma turma de rapazes do interior de S. Paulo. Começa a tocar um forró e um deles me tira pra dançar. Dança bem! Poucas palavras e... Mais beijos. Beijo bom, vigoroso, gostoso! Me aperta e me solta e... Continua ali do lado, mas a conversa é surreal. "Quantos anos você tem?" (Assim, na lata). "42", e acrescento "eu não minto". "Hahaha. E eu tenho 58..." (Calculei uns 27)

Uma e meia da manhã, ele vai ao bar e eu desapareço. Minha amiga E., mais pra lá do que pra cá, resolve ficar. "Mas você não disse que tem uma reunião amanhã às nove?", pergunto. "Pode deixar que vou direitinho pra casa"...

Pego um táxi, ruas vazias... Afinal é segunda-feira de madrugada. Durmo muito mal, muito agitada, acordando toda hora, até o relógio despertar às 8h do mesmo dia. Concluo que esse Bailinho é como uma droga: tem que administrar com muita parcimônia...

***
Ficaram chocados com o meu comportamento? Poxa, tenho que me distrair até chegar a hora de voltar a gostar de alguém...

7 comentários:

Denise do Egito disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcia Regis disse...

Viver!.... E não ter a vergonha de ser feliz....

Beijo, Márcia

dinha disse...

Concordo plenamente com a Márcia, vc tá certíssima!!! Como encontrar um novo amor ficando em casa? E penso que num lugar assim pode ter muita gente afim só de beijos mas pode ter um cara legal, que tá indo ao Bailinho pela segunda vez querendo voltar a gostar de alguém, novamente. Adorei a dica! bjs

Anônimo disse...

Vá,
Você não precisa se preocupar com "achar" alguém. As pessoas chegarm na nossa vida na hora certa, a gente é que não sabe. Bobos são os homens que estão te perdendo!
Beijos da amiga,
que sabe o que fala,
Ana

Valéria Martins disse...

Sim, querida Ana, eu sei que vc sabe o que fala. Um dos dias mais bonitos da minha vida foi o do seu casamento, vc vestida de azul clarinho (ou cinza claro?) de mãos dadas com o Maurício e um monte de gente cantando. Caí no bué!

Agora, Dinha, acho que no Bailinho eu não vou encontrar nada que preste, não. É só diversão mesmo... Muita diversão! Beijos em todas.

Ana Carolina disse...

Valéria!! A-do-rei seu relato do Bailinho!! Adoro historinhas assim...ahhhh vai lá e conta mais pra gente, vai!!!!!!!!!!!! hahaha!

Amiga, quero ter sua disposição, NOW!!!! hahaha!

Gostou dos looks? O blog bombou no dia do encontro, menina. Mais de 2 mil acessos em 1 dia. A Cris é uma fofa. Vc ia gostar de conhece-la. Divulga o blog pra suas amigas...rs. Te linkei lá, vc viu?
Olha, to indo no blog só de mini pq vc pediu heim!!


Beijoca queridona

Ana Carolina disse...

Ah! vc leu no blog dela o q ela escreveu do encontro? fofo demais, né? Gostou do q escrevi? Menina, preciso urgente virar redatora...pra ter chance de ganhar mais...depois te conto! hahahahahahaha!