terça-feira, 24 de junho de 2008

Coragem de se aventurar


Para mim, a sociedade com mais de quatro pessoas fica dura de suportar.

Albert Camus, Diário de viagem – A visita de Camus ao Brasil (Ed. Record).

Em sua coluna no domingo passado, na Folha de S. Paulo, Danuza Leão fala das pessoas que reclamam que a vida está chata, mas não saem de casa por nada desse mundo. Jantar com amigos? De vez em quando. Mas o jantar terá convidados fora do comum? Melhor inventar uma boa desculpa. Ir ao cinema, enfrentar fila? Melhor pegar um DVD. Ir a uma festa, tomar um porre, chegar tarde em casa? Melhor não, amanhã vamos acordar tarde e de ressaca. Assim por diante.

Refleti sobre esse fenômeno e concluí que a conquista da solidão, de estar só e bem consigo mesmo, é tão árdua que depois que chegamos lá, não queremos mais nos aventurar a perder essa "estabilidade". O problema é que viramos uma cápsula, um casulo, e todo mundo sabe que em um casulo não tem lugar para dois. Solidão chama mais solidão e logo nos bastamos, damos conta de tudo sozinhos, e não há lugar para outro. Ruim!... É preciso estar de olhos – e coração, principalmente – abertos para não cair nessa armadilha.

Por exemplo, nas postagens logo após minha viagem sozinha à Europa, em fevereiro, narrei os perrengues internos que passei por causa do excesso de liberdade e a solidão. Um duro aprendizado, mas muito valioso. Hoje, fico em casa só e feliz, lendo um livro, ouvindo música, cuidando das plantas, falando ao telefone ou no skype com os amigos, escrevendo.

Confesso que, quando surge um convite inesperado, fico na dúvida: melhor ficar quieta em casa, acomodada e feliz (?), ou ir de encontro ao desconhecido? Escolho sempre a segunda opção. Ainda...

Danuza Leão está com 70 anos. É uma mulher jovem de espírito, sem dúvida. Mas seus amigos, pelo que ela conta, envelheceram... Acho que isso é envelhecer: perder a capacidade ou a coragem de se aventurar.

E você? Ainda consegue se aventurar? Diga-me como...

5 comentários:

Claudia Goulart disse...

A dois anos atrás, depois de sair de um emprego que me consumia, resolvi ficar reclusa por opção. Não totalmente quando se é mãe de uma adolescente.
Mas com mais tempo disponível, pude retornar a fazer ginástica com disciplina e em consequência ter mais disposição. Fiz também um novo grupo de amigos. O que me fez ter como uma das resoluções de início do ano passado, cultivar as amizades acima de toda a preguiça ou desânimo. Tenho colhido bons frutos e continuo firme na minha resolução. bj

Anônimo disse...

Vá querida,
Como sempre vc toca no ponto.
Realmente estou envelhecendo. Não tenho tido muita vontade de me aventurar e costumo a "culpar" meu filho de 3 anos. Mas na verdade, acho que ele vai me ensinar, pois já reparei que ele é aventureiro, no sentido de encarar a vida de frente.
Bom para ele e para mim também!!!!
Beijos,
Ana

Ana Carolina disse...

Eu sou nova mas to na fase casulo. Achei até q o post era pra mim. Fico pensando 400 mil vezes se vale a pena sair e arriscar um programa desconhecido...acabo muitas vezes optando ficar em casa e fico arrependida. Quando escolho sair, quase sempre acabo gostando.
Mas é uma fase tão difícil de superar quando não se tem carro, quando se quer juntar grana, quando se tem tanta coisa pra fazer em casa (arrumá-la, trabalhar, etc)...

Mas aos poucos estou conseguindo vencer a preguiça. Outro dia topei ir ao Cine Cachaça e a sessão era de...filmes de pornochanchada!! Mas mesmo assim me diverti muito...hehe

E a própria Danuza Leão já escreveu pra uma revista sobre a delícia de ficar em casa e trocando os móveis de lugar (mania dela). Como ela mesma parafraseou: My house is my castle...

Beijos!!!

rosane queiroz disse...

Oi Valéria

Sou uma sagitariana nata, sempre com a flecha apontada para um novo alvo, uma novidade...
Esse seu texto caberia bem no Miojo, vou te linkar lá
beijinhos,

a FLIP tá chegando!

Anônimo disse...

Hi, as you may already noted I am fresh here.
Hope to get some help from you if I will have any quesitons.
Thanks in advance and good luck! :)