sábado, 2 de outubro de 2010

Da série "O futuro do livro"

Amigos, esse texto é a capa do site Shahid (http://www.shahid.com.br/) essa semana. Mas resolvi compartilhar com vocês porque o assunto interessa a todos nós, blogueiros que sonham ser escritores. Aguardo seus comentários. Beijos, obrigada.



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Smashwords – A maior plataforma de auto-publicação e distribuição de ebooks dos Estados Unidos

Mark Coker parece ter pouco mais de 40 anos. Usa calça cáqui meio amarrotada e camisa xadreza de mangas curtas. Seu jeito de falar é direto, sem rodeios. Sua apresentação em PowerPoint tem apenas frases, gráficos e poucas imagens – nada de cores ou efeitos. Esse homem aparentemente comum é o fundador e mantenedor da plataforma de auto-publicação e distribuição de ebooks que mais cresce atualmente nos Estados Unidos: Smashwords (http://www.smashwords.com/ )

Em uma hora de palestra na Casa do Saber (RJ), no dia 30 de setembro, Mark não mencionou a palavra “papel” uma vez sequer quando se referiu ao futuro dos livros. Falou, sim, no impacto das novas tecnologias para editoras e livrarias. E mostrou números significativos do crescimento desse mercado – e de sua própria ferramenta, o Smashwords – defendendo que “No futuro, os autores vão determinar o que será publicado e os leitores vão determinar o que será lido".

Abaixo, um breve resumo em tópicos da palestra de Mark, que veio ao Brasil a convite da Singular Digital (http://www.singulardigital.com.br/) – braço da Ediouro para impressão de livro sob demanda/digitais.

What´s an ebook? It´s a different way to enjoy a book”.

O computador (PC) ainda é o principal leitor digital hoje no mundo.

Ebooks podem oferecer uma experiência melhor de leitura porque, entre outros motivos, as letras podem ser aumentadas quanto o leitor quiser; são mais baratos que os livros impressos (nos Estados Unidos, um título em hardcover custa U$ 35 e a versão em ebook, U$ 10).

Uma breve história do livro: a escrita nas grutas de Lascaux, França; os monges copistas, na Idade Média (que detinham o poder sobre o conhecimento); a prensa de Gutemberg (que torna possível a impressão e distribuição massiva de livros); as editoras como conhecemos hoje. Segundo Mark, a relação de poder continua, só que em vez dos monges, são os editores que decidem: quem merece ser publicado? Quais lançamentos terão investimento em promoção e marketing? Quais livros o público irá ler?

But then internet happened and... Pow!” – Mark mostra o cartum de um alce com os olhos arregalados prestes a ser atropelado.

Mais e mais clientes estão comprando on line porque: os preços são mais baixos; conveniência/conforto; maior perspectiva de visualização/seleção de títulos – pois as livrarias também têm sua cota de poder e decidem quais livros serão expostos nas bancadas.

Em 2009 foram publicados mais ebooks nos Estados Unidos, do que livros impressos.
Eu acredito que, no futuro, ebooks serão mais comprados e mais lidos que o livro impresso”.

Um autor da Smashwords vai ganhar 20 mil dólares este mês – isso representa a receita de um ano a ser ganha por um autor de livro impresso nos Estados Unidos”.

As editoras estão cada vez mais seletivas e não querem assumir riscos. Estão tendo dificuldade em se adaptar às mudanças porque seus custos são altos e querem preservar os preços altos de seus produtos.

Ao mesmo tempo, com a democratização dos livros, há uma explosão de conteúdo disponível, o que nos leva a perguntar: o que merece ser lido? Resposta de Mark: “No futuro, os autores vão determinar o que será publicado e os leitores vão determinar o que será lido".

Algumas dicas que o gestor da Smashwords dá às editoras: desenvolver estratégias de longa cauda e nunca dizer ‘não’ a um autor; agregar o self-publishing ao seu negócio; dizer ‘sim’ ao relacionamento com novos e improváveis autores; desenvolver os talentos brasileiros (Mark ficou impressionado com a predominância de autores de língua inglesa traduzidos nas livrarias que visitou no Rio de Janeiro); transferir o risco da publicação ao autor; os autores que apresentarem boa performance, estes, sim, merecem investimento.

Por Valéria Martins

8 comentários:

Jamil S.P. disse...

Quando surgiu o CD, disseram que o vinil iria desaparecer. Num primeiro momento, foi mais ou menos o que aconteceu. Porém, passados alguns anos, hoje há uma verdadeira ressureição do vinil, que creio não ser apenas uma moda passageira. Talvez o vinil não volte a ter mais aquele status, ser praticamente o único meio de reprodução de música; mas certamente continuará a ser usada por muitos e muitos anos. Como dizia Napoleão, só está destruído o que é substituído. Quero crer que o vinil apresenta algumas características insubstituíveis; razão pela qual jamais seria destruído por completo. Entendo que ocorre um fenômeno semelhante nessa questão/relação entre o livro e o e-book. Muito já se discutiu e vem sendo discutido, com a apresentação de dados, argumentos, etc; então, abstenho-me de repetir aqui o que todos já mais ou menos sabem. Gostaria apenas de fazer um comentário pontual a este trecho "Ebooks podem oferecer uma experiência melhor de leitura porque, entre outros motivos, as letras podem ser aumentadas quanto o leitor quiser; são mais baratos que os livros impressos". Acho um tanto relativa a afirmação pura e simples de que os e-books oferecem um experiência melhor de leitura. A coisa não é bem assim. Por outro lado, essa discussão sobre preço também se encontra num campo em que há bastante relativismo, pela própria natureza do preço e sua determinação, no mínimo. Para não me estender demais, abstenho-me de detalhar os fundamentos de minhas afirmações, quanto a esses dois aspectos mencionados, reiterando a comparação inicial, que nos fornece bons subsídios para refletirmos sobre o assunto. Gostei do post! :-)

Gerana Damulakis disse...

É inevitável que o e-book alcance o livro, mas só vou dizer uma coisa: quem nasceu no século 20 sempre sentirá o encanto do livro, sempre precisará pegar o livro, sentir seu cheiro, manusear suas páginas.

Neide disse...

Val querida,

Concordo com Gerana, não importa o vanço da tecnoligia, o surgimento do e-book, um livro pra nós que adoramos uma boa leitura terá sempre o seu lugar preservado. Nada substituirá o folher das paginas, uma após a outra, tê-lo juntinho de nós na cabeceira da cama, na bolsa, em nossa valise de viagem, na praia, na casa de campo junto da lareira...
Estes encantos permanecerá!!!

Bjuss

Neide disse...

Ops!!

Desculpe-me pelos erros de digitação, estou saido pra viajar e não queria deixar de comentar.. Val estou indo pra SP, te mando e-mail de lá...

Bjus

Mônica disse...

Valéria
Não quero perder a visão maravilhosa que o livro nos dá. O manuasear o papel e tudo mais.
Eu não dei conta de ler nnehum livro pela internet, tive que imprimir o que li.
Vou ser bem chatinha.
Mas ainda bem que vai demorar a acabar com os livros.
com carinho MOnica
OBS estamos te esperando!

Drika disse...

Essa conversa dá sempre panos para manga. Acho que nossa tendência é, mais das vezes, a de conservar o familiar. A experiência de leitura, para nós da geração livro, é táctil, tem o ritual da virada de páginas, de marcar o livro, enfim, é uma experiência sensorial completa. A leitura em outro suporte é uma outra leitura, eu acho. Podemos nos adaptar mas, diferente do vinil (escutar a música é parecido com o cd e com o vinil) acho que ler é uma experiẽncia mesmo que envolve não apenas o conteúdo do lido, mas o suporte e tudo o mais... enfim, é conversa para um seminário inteiro (rs). Beijo,

Monica Loureiro disse...

Sempre sonhei em publicar um livro...Acho que me sentirei mais ecológica se for um E-BOOK...
Mas sempre terei muito mais carinho com os livros de papel...

Célia Regina disse...

Oi, Valéria... Por favor, se concordar, divulgue a Crônica postada no endereço a seguir:http://saofranciscobyceliaregina.blogspot.com/2010/10/aborto-de-uma-tragedia.html. Um abraço!