sábado, 25 de setembro de 2010

Coisas que lembram pessoas

Meu pai era um intelectual que vivia cercado de livros, revistas e jornais. Mas todo sábado e domingo de manhã ele se dedicava ao jardim.

Era um jardim imenso, em terreno inclinado, difícil de cultivar. Ele mesmo tratou de construir jardineiras em patamares e as enchia de flores. Todo mês de maio viajava à Europa e trazia de lá montes de pacotinhos com sementes. No jardim do meu pai, só entravam plantas que dessem flores. Nada de folhagens.

Por causa disso, sempre que vejo flores - silvestres, em um canteiro, em um jardim, no mato - eu me lembro do meu pai. É uma forma linda, delicada e alegre de lembrar do meu pai.





Da mesma forma, lembro da minha avó Violeta toda vez que como uma sobremesa gostosa. Ela era cozinheira de mão cheia, mas gostava mesmo de fazer doces. Não ligo para doces, gosto mais do sabor salgado. Mas quando vou a algum almoço ou jantar e a sobremesa é deliciosa, lembro da vovó. É uma forma gostosa e afetuosa de lembrar dela.

E vocês, quais coisas boas lembram pessoas queridas?



11 comentários:

Drika disse...

Essas suas fotos encheram os olhos, viu?! Que mesa de doces é essa?! Acho que, só de olhar, sai da dieta. Val, nossa, eu sou tremendamente "lembradora" dos afetos que foram e que estão por aqui. Comida e fartura me lembra também minha avó, cujo prazer era ver os pratos de seus convidados sempre cheios de comida... beijo querida,

Gerana Damulakis disse...

E é esse recordar através das pequenas coisas do cotidiano que faz com que continuem vivos dentro da gente.

Mônica disse...

Valéria
Domingo fui na fazzenda de minha amiga Rosangela. Ao acordar ela pediu para que eu buscasse no curral nata do leite pra fazer manteiga. Ela faz diariamente.
Quando cheguei pensei que ia ver meu avô Tonico. Era como se fosse de novo o curral, a vaca, os bezerros do vovô. Tive uma emoção única.

Eu sempre lembro de papai. De manha a noite.
Mas plantação de café é como se ele estivesse por perto. Não sinto sua presença mas sei que está lá, entre estas plantaçoes que ele cultivava com amor e que delas sairam nossa educação.
com carinho Monica
Já estou de volta

Anônimo disse...

Lindas as suas lembranças. As minhas têm sons e cheiros. O barulho do rio da minha infância, o cheiro de jasmim da minha casa paterna, a gargalhada da minha queridíssima avó avó, coisas assim.
O pão de queijo me leva até o Cláudio, meu irmão, no mundo etéreo que ele hoje habita.
Ouvir canto coral me reporta ao meu pai, que deve estar regendo o coro dos anjos.
E minha mãe é muito mais do que a comida boa, ou qualquer coisa material.
Ela está nos meus valores, minha coragem e minha fé ante as provações, no meu senso de responsabilidade para com o bem comum, legados dela que eu tento fazer crescer em mim.

Celi

Adriana Calábria disse...

Numa tarde fria eu estava no trabalho quando de repente comecei a sentir um cheiro de doce de mamão cozinhando. Acho que estavam preparando alguma sobremesa para os pacientes...
Aquele cheiro me transportou.
De repente eu estava na cozinha da minha avó vendo ela mexer aquele doce.
Minha avó tem 85 anos. A idade já pesa bastante, mas ela faz questão de ainda cozinhar. É sua melhor maneira de demontrar amor.
Pro resto da vida, onde estiver e sentir cheiro de doce de mamão cozinhando vou lembrar dela!

Andrea disse...

Amor perfeito me lembra meu pai que também adorava plantas e tinha um canteiro só dessas flores lindas !!! Copo de leite lembro de minha mãe .
Suspiro (doce ) tem o cheiro de minhas tias queridas Arminda e Clarice ..
beijos
Andréa

figbatera disse...

Belas lembranças!
E muito lindas as flores que agora enfeitam o cabeçalho do blog.

mar e ilha disse...

Gostei tanto desse seu post. Assim, como a Andréa, amor perfeito me faz lembrar do meu pai. Mas qdo vejo um ipê amarelo tb lembro dele, pque a última vez que estive na fazenda em sua companhia fomos ver o bosque de ipês que ele tinha plantado. Suspiro também me lembra minha tia Arminda e também potes de botão. Lavar copos com detergente sem esponja, me lembra da minha tia Andreina. Eu tb sou como sua amiga Drika. - Uma ""lembradora" dos afetos que foram e estão por aqui.". Que lindo.!!! Vc ainda vai para Bhte? Minhas irmãs estão adorando sua estadia por lá.

Valéria Martins disse...

Queridas e querido, fui ler os depoimentos com calma agora, um por um, e me emocionei... Que lindas lembranças! Como diz a Gerana, isso é que faz com que continuem vivos dentro da gente.

E os vivos, bem próximos.

Muitos beijos,

Mônica disse...

Valéria
Depois vou fazer um blog do seu livro. Eu adorei mas emprestei pra minha amiga Tonha e fiquei de pegar de volta na eleição.
A Andrea ainda não leu e quer ler.
Voce resumiu bem sobre as casas.
No dia do meu aniversário de 50 anos teve até discurso e morri de vergonha porque meu primo disse que ali em casa estava reunida desde a minha passadeira até a Superintendente de Ensino. E ambas eram minhas amigas.
com carinho
sua amiga Monica

Neide disse...

Val querida,

Lembranças, lembranças...elas nos faz tão bem, não é mesmo? Nos transporta de volta á épocas já distantes do nosso presente. Doces, salgados, cheiros, músicas, há muitas destas coisas gravadas em nossa memóris, e nso tras deliciosos momentos já vividos.

Musica de viola me lembra meu pai, bem como biscoitinhos doce de polvilho, tipo sequilhos. Cheiro de alecrim me lembra minha bisavó (a quem eu adorava).
Pudim de pão, pitangas me lembram minha infância!!

Lembranças...doce exercício..obrigada...

Bjuss