sábado, 22 de maio de 2010

As marcas da bondade

Meu pai era um intelectual amigos de muitos artistas. Um deles era o fotógrafo José Medeiros (1921-1990). Fez a câmera de muitos filmes brasileiros, tirou muitas fotos para O Cruzeiro e Manchete e, hoje, o Instituto Moreira Salles é guardião de sua obra.

Mas, aos 7 anos, nada disso importava para mim. O que eu gostava mesmo era quando o Zé colocava o punho fechado sob meu queixo e fazia um movimento rápido de modo que meus dentes batiam uns nos outros parecendo uma britadeira! Eu morria de rir!

Ele também fazia muitas piadas e brincadeiras, e eu adorava a presença daquele senhor com cabelos esvoaçantes brancos e cara de maluco. Depois que voltei a morar com minha mãe, nunca mais o vi. Mas ele deixou uma lembrança tão forte que até hoje eu faço a brincadeira do queixo com os meus filhos. Eles pedem:

- Mãe, faz aquilo com o meu queixo?... - e dão risada.

Tudo isso para dizer que nós, seres humanos, muitas vezes guardamos lembranças ruins de pessoas que nos fizeram mal e deixaram marcas negativas. Mas a bondade também deixa marcas profundas, positivas, capazes de passar de geração em geração. Como as que o Zé deixou em mim, mesmo sem saber.

E vocês, quais marcas a bondade registrou em sua história, em sua vida, em seu coração?

Abaixo, algumas fotos do Zé.





16 comentários:

Gerana Damulakis disse...

A grande marca de bondade está relacionada ao modo como aprendi o que é o amor. E, por coincidência, contei isso na postagem "sem você", do dia 22 deste, pois era o dia do aniversário de meu pai. Foi ele quem me ensinou amor= generosidade etc.

2 coisas: onde escrevi "usufrui" nauqele comentário sobre fazer 3 coisas que gostamos, leia-se "usufrue"; e não, Valéria, ninguém é inteiramente feliz, ou inteiramente infeliz. A perda de meu pai levou uma Gerana: jamais a encontrarei, jamais o encontrarei também. "Mas como dói!" (verso final do poema "Confidência do itabirano", de CDA).

Monica Loureiro disse...

Lindo este texto.
Parece com os de um livro que estou lendo, HISTÓRIAS QUE CURAM.

Érico Cordeiro disse...

Valéria,
Como são bonitas as fotos do Medeiros! Além de tudo, ele possuía uma enorme sensibilidade e um olhar bastante acurado!
E eu adoro fazer essa brincadeira do queixo com meus filhotes!!!
Um fraterno abraço e uma ótima semana prá você e pros seus leitores!

Heloísa disse...

Valéria,
Que fotos maravilhosas!
Não conhecia essa brincadeira do queixo, e é incrível como coisas simples deixam boas lembranças.
Beijo.

Por que você faz poema? disse...

Costumo dizer que fotografar é fazer poesia sem papel e caneta.

Babi Mello disse...

Valéria que legal essa bricandeira do queijo e as fotos em pb estão lindas e sobre a bondade, acho que cada dia somos absorvidos pela bondade e maldade das pessoas e infelizmente como vc disse guardamos mais as maldades, mas eu já errei muito por pre- julgar determinadas pssoas, e foram elas lá na frente que me ajudaram e me apoiram. E que hj são minhas amigas.
Bj!

Maria disse...

Valéria,
estava lendo as notícias quando vi a foto do negro com a cabeça pintada , achei que era do Zé Medeiros, e encontro seu blog, justamente falando sobre êle. Tenho as mesmas lembranças do Zé, a brincadeira do queicho, como eu gostava e ria muito. ´Meu pai trabalhou nos Diarios Associados,Zé frequentava muito nossa casa.Papai e ele viajavam muito com Dr. Assis.
Zenaide filha dele passava as férias na nossa casa. Ano passado houve uma homenagem para meu pai,em São Paulo decobri Zenaide convide-a e ela foi com a filha, imagine a emoção, lhe plagiando foi " A Pausa do Tempo "
Seu texto me trouxe muitas lembranças. Sigo o blog Cantinhos para Cão Dormir , da Maria Sampaio, agora seguirei tambem o seu.
Beijos ,Maria Tavares

Mônica disse...

Valéria
Eu adoro quando conta coisas de seu tempo. Principalmente porque conviveu com pessoas especiais. Que fotos! De tirar o folego.
E por isso voce só podia se transformar em uma mulher agradavel e muito espetacular.
São essses momentos felizes que nos faz ir sempre para frente, para o otimismo.
Esperoa que minha amiga Elisa te responda sobre seu nome.
Ela é muito gentil.Se ela ler vai te contar.
E escrever em japones não é um( robi) é sua profissão por isso fico muito feliz por ter sido lembrado de mim.
com carinho MOnica

Valéria Martins disse...

Olá, Maria. Tentei acessar o seu perfil, mas não consegui. Só para dizer o quanto fiquei surpresa e feliz com esse reconhecimento. Quer dizer que o Zé só deixou boas lembranças por onde passou. Eu quero ser assim também.
Beijos!

Valéria Martins disse...

Existe uma outra pessoa que eu não coloquei no post, porque ficaria grande. Ela se chamava Edu, era irmã do meu avô e era freira. Devo tê-la visto umas três ou quatro vezes na vida, entre os quatro e seis anos. Ela morava no convento e só aparecia de vez em quando, nas reuniões de família, sempre vestida com o hábito marrom, negro e branco, só o rosto descoberto.

A Edu sempre me presenteava com alguma coisa que ela mesma tinha feito: um lencinho bordado (tenho um até hoje), um sabonete pintado à mão. É incrível, mas ela me passava um sentimento tão bom que sua presença é viva na minha memória.

Não sei que fim levou nas curvas da vida... Só sei que continua viva em algum lugar no meu coração.

Fernandes disse...

É tão bom ler você...
Os posts estão impecáveis, as fotos do post são perfeitas
E por falar em fotos essa do lado de cá no cantinho do blog acima do "Visualizar Perfil Completo" é...essa mesma...Que charme, adorável!

Bom
Quando moleque passávamos férias no Minho(Portugal)na casa dos meus avós.Minha avó uma doce alfacinha e meu avô um tripeiro...ele era muito engraçado sempre tinha estória e quando fazíamos algo que renderia umas "porradas" ,rs como pegar broa do café da manhã(Vó que fazia)e dávamos aos patos rs,subir na amoreira e parar a cá rs...Meu avô brigava,mas no final dava uma piscadinha de olhos e isso nos fazia rir...e trouxe comigo e repetia o mesmo gesto com Tavinho quando subia no sofá e queria voar rs e até hoje faço quando"brigo".E quando acontece e não pisco haha (irmãos logo falam Teco é sério? Ou,paiê não vai piscar pô,ainda, tiô pisca?rs.

Pois é,isso que a gente leva p/sempre...

Ps:Não consigo atualizar o blog :(

Neide disse...

Val,
Como é bom ter lembranças carinhosas, generosas, que nos ensinaram muito e fazem parte de nós. Tenho muitas lembranças de minha bisavó paterna, era uma mulher muito simples, do interior de Minas, mas tú não sabes o quanto as palavras dela sobre a vida me ajudaram a chegar onde cheguei. Quantas vezes recorri as variadas frases que ela usava para me explicar o mundo, a vida, para fazer o mesmo com minhas filhas.É uma lembrança muito forte, muito presente em minha vida.
Lendo seu texto pude "viajar" até a minha infância e resgatar momentos mágicos com ela, que mesmo passados mais de 40 anos estavam lá nítidos, como se tivessem acontecido ontem...
Obrigado por isso.
Você percebeu que pessoas assim, que deixam marcas de bondade, boas lembranças, na verdade não morrem nunca, apenas saem de circulação?

Bjusssss

Clodie disse...

Oi Valeria! Muito obrigado pelos comentarios a respeito do meu site. Voce tem razao. Vou tirar a foto da entrada. Vai ficar melhor. Estou adorando o seu blog. Bom saber que tu gosta de Londres. Agora eu tenho que te enviar um cartao-postal daqui :-) Abracos, Clodie

Anônimo disse...

Gostei do teu blog: tem sensibilidade, bom gosto, poesia e charme. As coisas essenciais da vida.

Otto

Valéria Martins disse...

Olá, Otto. Bem-vindo à Pausa do Tempo e obrigada pelo comentário.

Abraço,

Maria Muadiê disse...

fotos lindas!