sábado, 21 de fevereiro de 2009

Gostar de Carnaval é gostar de gente

Eu gosto de gente. Seus rostos, histórias... Principalmente as histórias.

Diz o escritor judeu Isaac Bashevis Singer: “Deus inventou o homem porque gosta de histórias”. Concordo com ele.

Duas semanas atrás, levei amiga ao bloco Imprensa que eu gamo, dos jornalistas cariocas. E ela, no meio da muvuca, com cara de nojo: “jura que você gosta disso?...” Sim, gosto. Apertamento, suor, empurra-empura... Isso é Carnaval.

Em 2008, no Rancho Flor do Sereno, em Copacabana – baile onde tocam os melhores músicos cariocas – eu me senti sendo parida pela multidão. Era espremida a ponto de os pés saírem do chão, depois alargava e eu voltava a respirar. Antes de o bebê nascer, a sensação deve ser essa.

Mas o Carnaval também tem seu lado triste. Faz alguns anos, em mostra no Centro Cultural Banco do Brasil, o cineasta Karim Aïnouz conseguiu captar e expressava essa tristeza de um modo muito bonito e interessante.

Atravessávamos uma cortina de fios de brilhantes para adentrar um ambiente em penumbra. O chão macio e escuro salpicado de purpurina. Duas telas mostravam: uma, a imagem de um casal no meio da folia beijando-se apaixonadamente, desesperadamente, sofregamente; outra, um bêbado cambaleando pelas ruas sujas de confete e serpentina.

Ao deixar a sala, a sensação era de um certo amargor e fim de festa, exatamente como nos sentimos na Quarta-feira de Cinzas, quando acaba o gozo daqueles quatro dias sem lei, em que as regras da cidade e da vida da gente vão pelos ares.

Neste Carnaval não estou animada como nos outros anos, por uma série de motivos muito reais. A saúde da Miss Martha, por exemplo. Mas vou para o Carnaval assim mesmo.

Afinal, eu gosto de gente.

5 comentários:

Calabresa disse...

Melhoras para a Miss Marta!
Espero que esse carnaval seja especial.
Abração.

Heloísa disse...

Valéria,
Dessa vez ouso discordar de você. Gosto de gente, adoro histórias de vida, mas do carnaval que você descreveu, com apertamento e tudo mais, não gosto.
Gosto do carnaval autêntico, de rua, da alegria natural, da festa sem excessos. Das marchinhas, do balanço do corpo acompanhando o ritmo.
Saúde para sua Miss, e bom carnaval.

Denise do Egito disse...

Tb adoro gente. Gente bonita, cheirosa e com fantasia divertida, que se diverte num lugar confortável com ar condicionado e lugares pra sentar, que vende bebidinhas e comidinhas gostosas... Hahahaha Tô te zoando só pro causa dos Democráticos. beijos, minha querida

Valéria Martins disse...

Hahahahahaaaaaaaa!!!

Pois é... Eu gosto de gente no apertamento, sem ar condicionado, de pé, dançando, suando e tudo o mais... Tem explicação? Acho que não!

Vanderhugo disse...

Uai.
Eu gosto de gente, mas...
de carnaval, ainda não aprendi a gostar!
Bjs