Subi a ladeira sem pressa, pois sabia que minha amiga J., iniciada no lugar, ainda ia demorar. O bar não tem letreiro, identifiquei por causa das mesas – diferentes umas das outras, cadeiras idem – espalhadas na calçada e na rua. Era uma noite quente e fiquei sentada, tranquila, esperando J., observando os transeuntes: uma senhora carregada de sacolas de supermercado, quase fui ajudar; um gringo de mãos dadas com uma linda mulata; uma jovem com roupas de ginástica, suada, voltando pra casa; outra descendo a rua com os cabelos molhados, perfumada, provavelmente indo ao encontro do namorado. A Rua Taylor é uma rua muito familiar!
J. chegou e, enquanto conversávamos, três músicos montavam seus equipamentos no interior do bar. Em meia hora a música começou e qual não foi nossa surpresa ao constatar que um dos instrumentos era um vibrafone. Vocês sabem o que é isso? Do tamanho de um piano, pedais, milhares de teclas douradas, tocadas com quatro baquetas, duas em cada mão. Minha amiga, que é cantora, nunca tinha visto um na vida! O ápice da apresentação foi a música Vera Cruz (que eu não conhecia), do Milton Nascimento, tocada a mil por hora no vibrafone, acompanhado de baixo e bateria (maravilhosas as caretas de prazer do baterista ao batucar seu instrumento, um filme à parte). Muito bacana!!!
Senti que o forte do Cantinho da Fofoca é a música, sem dúvida. E a cerveja Bohemia gelada. E a cachaça curtida com morango. E a simpatia do dono, Nonô, que é também o único garçon da casa. Não tem muito o que comer – na ocasião só havia uma pizza de provolone "mais ou menos". E não aceitam cheque ou débito automático. Pagamento só em dinheiro vivo, ui! (Saí lisa, lesa e louca, e tive que pedir emprestado a J. para voltar pra casa).
E a decoração? Só pra dar uma idéia, Nonô tem uma coleção de Topo Gigios (valem dinheiro!) e uma foto do Capitão Asa (isso vai denunciar minha idade...) Enfim, vale conhecer o Cantinho da Fofoca, lugar ainda genuíno na Lapa. Programação: de terça a quinta - jazz; sexta e sábado - afrosambas! Enquanto a fiscalização não bater e obrigar o Nonô ou a profissionalizar o lugar ou a fechar...

6 comentários:
Hum, aos pouquinhos começa a mexer no visual. Cadê os livros?
Olha, se não quiser denunciar a idade, mude no seu perfil completo...
Teria ido com você ao Cantinho da fofoca, ver a J. cantar, viu?
Beijokas e obrigada pelos anéis
Ah... vai ter que me levar lá para conhecer, como parte do programa saúde S&SS ;-) bjs M.
Valéria!
voltei. ah, esse post eu vou ter que linkar lá no garotas de segunda. pode?
beijos, rÔ
Infelizmente o dono do "Cantinho da Fofoca já anunciou que fecha antes de 10/10/2008.
Não deu os motivos, mas devem ser os de sempre: prejuízo, falta de estrutura, má adminsitração; essas coisas.
Difícil se viver dessa coisa amadoristicamente, o que é uma pena, pois as idéis do Nonô são excelentes. Mas empreendimento exige eficiência. Desde um pequeno bar até um grande banco.
Passe lá rápido e tome mais uma; pode ser a derradeira. Confira o que diz Juarez Becoza em seu blog http://oglobo.globo.com/blogs/juarez/
Um abraço
(ah, cheguei ao seu blog pelo Google, procurando a rua Taylor)
Apreciei muito o texto a respeito do "cantinho da Fofoca" que realmente deu um ar mais boêmio a rua Taylor.
porém, vale ressaltar que sua descrição a respeito da rua e dos seus moradores pode ser considerada agressiva.
os predinhos de mais de 10 apartamentos por andar que, segundo a senhora, guardam vidas e dramas são a moradia de centenas de pessoas que nao os largaria por nada e se orgulham muito deles.
Um deles, ao contrario do que a senhora pensa, possui amplos apartamentos e muito confortáveis.
Portanto, estou oficializando minha adimieração pelo seu post a respeito do cantinho da fofoca e, ao mesmo tempo, expondo minha indignação com seu descaso com os habiatantes desta rua.
Kkkkk a nativa se doeu!!!!
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