sexta-feira, 4 de abril de 2008

Filmes sobre relacionamento – 1º parte

Pensei em dar a essa postagem o título Filmes românticos, mas deixei de lado porque a palavra "românticos" geralmente é associada a histórias água-com-açúcar ou com o final ...e viveram felizes para sempre, ou seja, algo antiquado. Hoje todo mundo sabe (espero) que quando um casal finalmente decide ficar junto, aí é que surgem os maiores desafios.

Tive o prazer de assistir, recentemente, a três filmes disponíveis em DVD, todos muito românticos no sentido real e fiel dessa palavra, ou seja, sobre o relacionamento homem-mulher com todas as dificuldades, percalços e desafios que isso engloba. São eles Lady Chatterley, de Pascale Ferran (França, 2006), A Massai branca, de Hermine Huntgeburth (Suíça, 2005) e Becoming Jane, de Julian Jarrold (Reino Unido, 2007).



O primeiro narra a bem conhecida história da esposa de um rico dono de minas de carvão, ferido de guerra e deficiente, que se apaixona pelo capataz da propriedade aonde moram. O livro foi lançado em quatro versões diferentes a partir de 1928, pois o autor, o escritor inglês D.H. Lawrence, foi obrigado a alterar os originais diversas vezes, a fim de viabilizar sua publicação: as ousadas descrições de cenas de sexo e o fato de os amantes pertencerem a classes sociais díspares foram motivo de escândalo na época.

A versão francesa do romance inglês prima pela delicadeza e sutileza sem tirar – pelo contrário! – o grande apelo erótico da trama. Trata-se de um filme de lindas imagens, poucos diálogos, contado do ponto de vista feminino. Vemos Lady Chatterley se insinuar ao capataz sem vulgaridade, pelo prazer da aventura e por ser uma mulher jovem, viva, que gosta de sexo. Ele, a princípio um bruto, vai suavizando seus modos, preocupando-se cada vez mais com lhe dar prazer. Ela não atinge o orgasmo no primeiro, nem no segundo encontro, mas sim numa ocasião em que a posição lhe é mais favorável, e isso abre mais uma porta para a interação e cumplicidade do casal.

As duas cenas clássicas do romance – ela tira a roupa e corre nua na chuva, ele a segue; e depois, em frente à lareira, quando ele cobre o corpo da amada com flores nos cabelo, seios e púbis – são de um realismo ao mesmo tempo tocante e erorizante.

O melhor é que nada de mau lhes acontece, eles não são descobertos, nem punidos por transgredirem as regras. Toda a emoção do filme consiste em acompanhar, na posição de voyeurs, se e como os amantes ficarão juntos. Nós torcemos, mas as dificuldades são muitas! E a história termina deixando-nos no ar, sem saber o que vai acontecer.

Exatamente como na vida real, numa época em que os relacionamentos, cada vez mais, ao invés de terminarem com ...e viveram felizes para sempre, começam com e que seja infinito enquanto dure.

3 comentários:

Denise do Egito disse...

Eu procurei esse filme na Blockbuster mas eles não tinham...Uma pena. Fiquei com vontade de assisti-lo. Bjs

Denise do Egito disse...

Ah, e obrigada por indicar meu blog. Também já inclui o seu.
Beijos e uma excelente semana!

Anônimo disse...

Obrigada, Deni!