sábado, 12 de abril de 2008

A emancipação de uma mulher, ainda que tardia

Maggie é uma viúva cinquentona. Seu único neto, com cerca de 7 anos, está doente e vai morrer. A esperança é um novo tratamento desenvolvido na Austrália. Problema: a família mora em Londres.

A fim de conseguir dinheiro para a viagem, a avó vai à luta. Mas os bancos não querem emprestar, ninguém lhe dá trabalho. Afinal, ela é velha e não tem experiência.

Caminhando a esmo, vê uma placa: "Procura-se atendente. Ganhos excelentes". Maggie consegue o emprego. Sua tarefa: instalada em uma pequena sala num clube privê, masturba homens que lhe oferecem o pau através de um buraco na parede. Ela fica do outro lado; não os vê, só os toca. Suas mãos são excepcionalmente macias; logo as filas são enormes e ela ganha 600 libras por semana.



Assim começa o filme Irina Palm, em cartaz nos cinemas. É um drama inglês, com roteiro enxuto, direção sóbria, maravilhosamente interpretado pela cantora e atriz britânica Marianne Faithfull – que foi namorada de Mick Jagger, viciada em heroína, moradora de rua, teve câncer no seio e é portadora de hepatite C. Por esse papel, foi indicada ao prêmio de melhor atriz da Academia Européia de Cinema, mas perdeu para Helen Mirren, A rainha.

O enredo original serve, na verdade, para mostrar o processo de emancipação da personagem, uma mulher que descobre seu valor e seu lugar no mundo às portas dos 60 anos.

Aceitar o emprego traz uma série de desdobramentos que a obrigam a se posicionar, escolher, assumir as consequências. Ela mostra a face ao mundo, e vêm muitas bofetadas. A recompensa: a liberdade.
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=lOooLNJj_R8&feature=related

Um comentário:

... disse...

A liberdade não tem preço...