quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Não foi nem nunca será

Em uma reunião de amigas, escutei a conversa:

- Fulano e beltrana se separaram.

- Faz tempo. Ele até já tem outra.

- Ficaram casados tantos anos... Quantos?

- Uns 12.

- Pois é... Mas continuam tão amigos. Já viu?

- Vi. É incrível, mesmo, como marido e mulher que se separaram podem ser tão amigos.

Uma outra, que também escutava em silêncio, soltou:

- Vai ver que foram sempre amigos. Vai ver que era isso.

O comentário me fez refletir... Porque às vezes eu me pego lamentando ter perdido a convivência e a relação com homens com quem me relacionei e cuja companhia, em certa época, me era tão agradável. Questiono a minha conduta: fui desonesta com eles? Em algum momento agi de má fé? Não sou digna de sua amizade?

Nada disso. Acontece que certas relações não foram nem nunca serão de amizade. Pois há laços profundos, conteúdos invisíveis e poderosos, que arrastam a esperança de uma relação mais leve e cordial para um redemoinho insondável e impossível de ser compreendido.

O jeito é deixar amorosamente para trás, junto com o passado. E acreditar que a vida trará novos amores e amigos que preencherão nossas vidas com o que há de mais doce.


18 comentários:

Garota Karioka disse...

Olá,
Eu tive a sorte de continuar sendo amiga dos meus antigos relacionamentos.
Mantenho contato quando possível e é sempre prazeroso reencontrá-los.
Digo que tenho sorte, pois sei que não é comum após um término as pessoas tenham um relacionamento de amizade. Isso acontece porque sempre coloquei a amizade em 1° lugar na relação.
Beijos, beijos!

Gerana Damulakis disse...

Concordo inteiramente com você.

Heloísa disse...

Valéria,
Também acho meio difícil. Relacionamento cordial, tudo bem. Mas amizade implica muito mais.
Beijo.

Anônimo disse...

La vai yo ,risos.

Ao invés de você ficar pensando neles...
Ao invés de você ficar "chorando" por eles...
Pensei em mim, chore por mim, (se sorrir comigo já esta bom) rs
Liga p/mim ?
Não não liga p/eles....não chore por eles

Pensa em mim...

Meu repertório up.rs



P/falar em relacionamento é preciso 1º reconhecer e viver afinidade e cumplicidade inerente ao tempo e os enganos.
Como Da Távola diz...vai do subjetivo para o objetivo, do permanente sobre o passageiro, do básico sobre o artificial e irradia durante e permanece mesmo depois que as pessoas deixam de estar juntas..."


Boa tarde!

Neide disse...

Olá Val,

Concordo com o anônimo, o melhor é esquecer o que já foi, já passou e investir no que possa vir a ser, acontecer.....
Claro que não dá para apagar totalmente a lembrança daqueles que fizeram parte de nossa vida.

Este anônimo tá que tá....

Bju

Mågø Mër£Îm disse...

Algumas amizades deixa de ser amizade qdo se tornam relacionamentos...
E outras perduram por terem sempre sido amizado e nunca relacionamento

complicado, né?

Érico Peixoto disse...

Olá, Valéria! Como estás? Primeiramente, gostaria de agradecer a visita e os comentários. Fico realmente feliz que tenhas gostado do blog. Concordo com o que disseste sobre a obra de Francis Bacon. De fato, é um contínuo gerador de sentimentos contraditórios - um reflexo de nossa própria condição, sempre um constante conflito de impressões, percepções, convicções... São elementos caracterizadores da dinâmina humana (afinal, o pensamento jamais será estático). Uma possível razão, dentre inúmeras outras, para tamanha riqueza artística em suas obras.

Quanto ao comentário sobre os filmes do Bergman, creio que sejas eternamente grata por tão precoce contato. =) Afinal, por mais que alguns julguem inadequado, penso que o amadurecimento intelectual deva ser estimulado o quanto antes, com a devida orientação parental e fazendo uso de ótimos catalisadores artísticos, literários, filosóficos etc. Bergman, Fritz Lang, Herzog, Win Wenders, Fassbinder, Visconti, Fellini, Tarkovski, Kurosawa... Todos ótimos agentes educacionais, não? =)

Finalmente, sobre sua postagem atual: Concordo com o exposto. Certos relacionamentos, quando ao término, jamais resultarão em amizade. Os motivos são inúmeros e, como bem disseste, muitas vezes ocultos e inatingíveis. Escapam de nossa compreensão, deixando-nos sem possibilidade de ação, a cogitar culpas que muitas vezes não possuímos.

Excelente a sua reflexão.

Beijos, uma ótima tarde, volte sempre e até a próxima! Seu blog já é destino obrigatório.

Valéria Martins disse...

Oi, Neide e anônimo, vocês precisam se conhecer pessoalmente, hehehe... (Brincadeirinha, porque sei que um mora no Rio e outro em Foz do Iguaçu!)

Fernandes, eu não "choro por eles", não. Longe disso. Mas, às vezes, sinto saudade da conversa, das risadas, das afinidades que eram tantas. É isso.

Beijos! Obrigada a todos pelos comentários!!!

Valéria Martins disse...

A propósito, vale dizer que sou amiga até hoje de muitos ex-namorados e ex-ficantes. Mas os relacionamentos mais profundos e duradouros, esses sim, é difícil transformar em amizade.

Beijos

maria guimarães sampaio disse...

Há os possíveis e os impossíveis.

Anônimo disse...

Desisto
Vencido...

figbatera disse...

Boas as suas colocações, Valéria; tb acho um tanto complexa a transformação em amizade. Já a "manutenção" de uma já existente, pode e deve acontecer.

Uma Pulga em desesperO disse...

Muito boa reflexão...BJU

Anônimo disse...

Falar de amor, levezinho,
como quem sonha, ausente.
Amor de doce carinho,
de afecto,
Amor de coisa que passa
se transforma e se abraça,
amor brasileirinho.

Aqui se ama de paixão, com força de amor que arde.
Coisa que se ardendo
mal se sente...
Amor de raiva e ciúme
Amor de pranto e queixume.
Nunca amor de amigo ausente.
Diferente?
Muito diferente!
Amor salgado e saudoso.

Aqui se ama assim,
com o passado presente.


Lisboa,Dezembro 2009

Jojo

Babi Mello disse...

Valéria comigo não rola ser amiga de quem já namorei, sei lá não daria muito certo e faço do seu último parágrafo as minhas palavras.
bj!

Neide disse...

Nossa adorei o que o Érico Peixoto escreveu...Adoro bons textos

Guzz disse...

Oi Valeria e todo mundo, sempre passo aqui para uma olhadinha ...

A verdade é que todo mundo carrega uma experiência de relações passadas, seja qual for, afinal esses momentos transformam nossos sentimentoss. A amizade que vem a se criar depende exclusivamente da expectativa que temos em relação a outra pessoa, é tão simples quanto complexo, a verdade é que o maior bloqueio é aquela sensação de que vai "ficar no pé", isso resolvido tudo fica mais facil.
Relações humanas é uma coisa muito complicada, acredito que pra começar a entender essas coisas primeiro temos que estar resolvidos com a gente mesmo.
Acho que é por aí !

bjs para Elas e abs para Eles

Denise do Egito disse...

Valéria
Penso que há casos em que podemos ser amistosos, principalmente, quando há filhos envolvidos. Há outros em que lembramos com afeto, conversamos, damos risadas. E há casos em que mudamos de calçada ao vê-los. hehehe
Um beijo e um ótimo Natal pra você e as crianças