O sol continua brilhando e todos dizem How amazing! sobre isso. Lindos dias, nao muito frio, uma linda lua crescente no ceu a noite.
Leva dois dias, mais ou menos, para a gente relaxar e perceber o ritmo proprio da viagem. Ontem, pela primeira vez, acordei com calma, sem achar que estou perdenddo tempo ou que nao havera tempo de ver tudo o que desejo em Londres etc. Verei o que tiver que ser visto, pronto. Nao poderei ver tudo mesmo, entao ficara para uma proxima vez, se Deus quiser, ou nao (como diz o Caetano Veloso).
Entao, sai com calma por volta do meio-dia para ir a Tate Modern, um predio espetacular na beira do Tamisa. Toda a historia da arte moderna esta la tambem. Em cada andar ha um painel muito charmoso listando de forma meio desordenada os grandes movimentos da arte moderna e seus principais artistas. La no meio, enxerguei os unicos brasileiros que pude ver: Lygia Clark e Helio Oiticica. Ja e alguma coisa...
Em outra parte do museu me deparei com uma instalacao interessante de dois artistas brasileiros, uma moca de nome impronunciavel, apesar de mineira, e um tal de Cao Guimaraes (nesse eu ja ouvi falar). Os dois tingiram ostias com cores vibrantes, espalharam no caminho das formigas e as filmaram carregando esses mega-confetes nas costas. O fundo musical e um sambinha batucado em caixa de fosforos. A instalacao chama-se Quarta-feira de Cinzas. Interessantes e as pessoas gostam, algumas riem das formigas.
Nas variadas salas, varios Picassos, Braques, Miros, esculturas de Henry Moore, Brancusi, Giacometti e outros. Muito impactantes sao os quadros de Francis Bacon, as faces e corpos deformados. Mas e tao negativo! Mais tarde, no mesmo dia, na National Gallery, em frente ao quadro dos girassois de Van Gogh (o famoso, reproduzido em todo canto) refleti que a pintura do holandes tambem era impactante, vibrante, contagiante e ele, apesar da loucura e do sofrimento, nao passava isso atraves da sua arte. A maior parte de seus quadros transmite alegria - pelo menos para mim.
A noite, Julie me convidou para o Teatro. Fomos assistir uma comedia que ganhou um tal de Premio Lawrence Olivier: Os trinta e nove degraus. E uma montagem realmente muito engracada. A primeira versao do filme baseado no livro de John Buchan saiu em 1935, dirigida por Alfred Hitchcock nao era nada engracada. Mas na peca de ontem eles criam efeitos hilarios para as cenas de acao, alguns deles usando sombras. E os atores eram realmente otimos.
Hoje o programa e o Freud Museum, onde o fundador da psicanalise morou depois que fugiu dos nazistas, e onde manteve seu consultorio ate morrer. Depois eu conto como foi.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Viajar so e, na verdade, estar rodeada de novas pessoas o tempo todo. Ontem estava novamente refletindo sobre isso, pois Julie foi trabalhar e eu tinha o dia inteiro pela frente sozinha, tendo que encarar o metro, os onibus... La fui eu, destemida, e deu tudo certo. O povo londrino e simpatico e todo mundo da informacoes com um sorriso no rosto. Entao, em vez de ficar me digladiando com mapas, paro e digo as pessoas aonde quero ir e elas me mostram sorrindo, muito gentis.
Ontem caminhei pela regiao de Bloomsbury, onde moravam Virgina Woolf e sua turma. Nao consegui encontrar a casa dela, mas sim a casa de Litton Strachey, escritor e critico ingles que foi interpretado magistralmente por Jonathan Pryce no cinema, no filme Carrington. O escritor foi casado com a pintora Dora Carrington (interpretada por Emma Thompson) e ambos eram homossexuais mas se amavam tremendamente. Cada um tinha sua vida sexual particular, mas formavam um casal apaixonado ao mesmo tempo (!). Tanto, que quando ele fica doente e morre, ela se mata com um tiro de espingarda.
Fui caminhando pelas ruas e atravessando parques ate o British Museum. Uau, toda a historia da humanidade esta la. Lembro que quando estive na Grecia em 1997, fui ao Parthenon e achei tudo muito bonito, mas um tanto depedrado. Pudera, pois todos os afrescos estao la no British Museum!!!
Estava meio sem saber por onde comecar, quando cai no meio de um tour guiado por um homem com um broche na lapela: The Bible Tour. Interessantissmo, pois ele nos levou a uma parte do museu dedicada aos Assirios, que viveram cerca de 600 a.C. Os caras entalharam suas historias nas pedras com tantos detalhes, como por exemplo, a expressao de pavor dos cavalos durante as batalhas. La pelas tantas, uma senhora atras de mim perguntou: From wich congregation you are? Ou seja, ela pensou que eu era religiosa como ela... Ate sou, mas comungo em outra vertente!
Coisas que mais chamaram minha atencao no museu: a mumia de Cleopatra - sim, ela chegou la em 1843 - e a Pedra de Rosetta, impressionante obelisco negro, todo entalhado com hieroglifos, que ajudou os exploradores ingleses a compreender a escrita dos antigos egipcios.
Mais caminhadas e travessias de parques, e cheguei a British Library. Ai sim eu me senti em casa!! Principalmente na sala que contem os Tesouros da biblioteca, um comodo escuro onde os documentos mais incriveis que se pode imaginar encontram-se expostos por tema. Literatura tem o diario de Lewis Carroll, uma carta de Jane Austen para a irma, anotacoes de Virginia Woolf para Mrs. Dalloway, de Joseph Conrad para Lord Jim, de Oscar Wilde, um poema escrito a mao por Sylvia Plath...
Musica contem partituras originais de Mozart! Rascunhos de letras de musicas dos Beatles!!!
Ciencia tem estudos de Leonardo da Vinci sobre o curso do Rio Arno, em Florenca, sobre como a lua refletia a luz do sol e sobre mecanismos com rodas e polias, alem de cartas de Charles Darwin e Isaac Newton! Isso sem falar nas Biblias e Alcoroes todos desenhados com tintas coloridas...
Ja era noite quando fui encontrar Julie em um pub, pois era despedida de um colega que vai passar tres meses viajando de barco pelo Atlantico e Mediterraneo. Muita gente nova, gente genuinamente inglesa, que, na verdade, quer dizer gente de todas as partes do mundo.
Enfim, aqui estou so mas acompanhada o tempo todo.
Ontem caminhei pela regiao de Bloomsbury, onde moravam Virgina Woolf e sua turma. Nao consegui encontrar a casa dela, mas sim a casa de Litton Strachey, escritor e critico ingles que foi interpretado magistralmente por Jonathan Pryce no cinema, no filme Carrington. O escritor foi casado com a pintora Dora Carrington (interpretada por Emma Thompson) e ambos eram homossexuais mas se amavam tremendamente. Cada um tinha sua vida sexual particular, mas formavam um casal apaixonado ao mesmo tempo (!). Tanto, que quando ele fica doente e morre, ela se mata com um tiro de espingarda.
Fui caminhando pelas ruas e atravessando parques ate o British Museum. Uau, toda a historia da humanidade esta la. Lembro que quando estive na Grecia em 1997, fui ao Parthenon e achei tudo muito bonito, mas um tanto depedrado. Pudera, pois todos os afrescos estao la no British Museum!!!
Estava meio sem saber por onde comecar, quando cai no meio de um tour guiado por um homem com um broche na lapela: The Bible Tour. Interessantissmo, pois ele nos levou a uma parte do museu dedicada aos Assirios, que viveram cerca de 600 a.C. Os caras entalharam suas historias nas pedras com tantos detalhes, como por exemplo, a expressao de pavor dos cavalos durante as batalhas. La pelas tantas, uma senhora atras de mim perguntou: From wich congregation you are? Ou seja, ela pensou que eu era religiosa como ela... Ate sou, mas comungo em outra vertente!
Coisas que mais chamaram minha atencao no museu: a mumia de Cleopatra - sim, ela chegou la em 1843 - e a Pedra de Rosetta, impressionante obelisco negro, todo entalhado com hieroglifos, que ajudou os exploradores ingleses a compreender a escrita dos antigos egipcios.
Mais caminhadas e travessias de parques, e cheguei a British Library. Ai sim eu me senti em casa!! Principalmente na sala que contem os Tesouros da biblioteca, um comodo escuro onde os documentos mais incriveis que se pode imaginar encontram-se expostos por tema. Literatura tem o diario de Lewis Carroll, uma carta de Jane Austen para a irma, anotacoes de Virginia Woolf para Mrs. Dalloway, de Joseph Conrad para Lord Jim, de Oscar Wilde, um poema escrito a mao por Sylvia Plath...
Musica contem partituras originais de Mozart! Rascunhos de letras de musicas dos Beatles!!!
Ciencia tem estudos de Leonardo da Vinci sobre o curso do Rio Arno, em Florenca, sobre como a lua refletia a luz do sol e sobre mecanismos com rodas e polias, alem de cartas de Charles Darwin e Isaac Newton! Isso sem falar nas Biblias e Alcoroes todos desenhados com tintas coloridas...
Ja era noite quando fui encontrar Julie em um pub, pois era despedida de um colega que vai passar tres meses viajando de barco pelo Atlantico e Mediterraneo. Muita gente nova, gente genuinamente inglesa, que, na verdade, quer dizer gente de todas as partes do mundo.
Enfim, aqui estou so mas acompanhada o tempo todo.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
E inverno em Londres, mas o sol brilha e o ceu esta limpo! As pessoas dizem que eu trouxe o sol e o calor do Rio de Janeiro... Ha gente usando bermudas e camiseta nas ruas (poucos) e da pra ver esses poucos sao otimistas demais, que estao empolgados com o sol, porque na verdade faz frio!...
Minha amiga Julie mora em Greenwich, um bairro afastado do Centro, numa rua muito calma e silenciosa. Ela me doou seu quarto e esta dormindo na sala. O apartamento e uma graca, com a cozinha junto da sala de estar e varias fotografias, pinturas e desenhos nas paredes. Minha cama tem lencois rosa-shocking indianos e e tao silencioso que eu dormi quase 12 horas; Julie teve que me acordar as 11h de domingo, ou eu seguria dormindo...
Acordei meio assustada com a hora, me arrumei em um segundo e seguimos para Chinatown, porque e Ano Novo Chines!!! O ano do Rato!!! Segundo os chineses e um ano que promete muitas mudancas, mas tambem ha o risco de algumas tragedias. Entao, as pessoas rezam pedindo protecao e prosperidade. Eu tambem!...
Cai no meio da parada chinesa pelo Ano Novo, as pessoas fantasiadas (os chineses, nao os ingleses), mas em termos de animacao nao se compara com o Brasil. Fomos a um restaurante chines muito bom e relativamente barato, chamado New World. Comidas de Hong Kong, muito diferentes das que temos nos restaurantes chineses no Brasil. Pasteis de massa muito leve, feita de farinha de arroz, cozidos e nao fritos, com recheio de carne de porco e camarao. Deliciosos!!!
Comemos com outras tres amigas de Julie, inglesas. O sotaque delas e dificil para eu compreender, porque fui acostumada com o acento americano. Saimos para a rua e foi curioso, porque hoje e o dia da entraga do Bafta, o Oscar ingles. Havia tapete vermelho, luzes, arquibancada, e eu pensei que poderia ficar por ali o dia inteiro, so para ver mais tarde Daniel Day Lewis, Javier Barden e outros que estao concorrendo. Mas o dia nos chamava...
Hoje era um dia incomun em Londres, por causa do sol. Todos estavam nas ruas, muitas criancas, todo mundo alegre. Trafalgar Square cheio de gente assistindo um espetaculo montado pela comunidade chinesa. Mas seguimos andando ate a margem do Rio, passando pelo Big Ben, enorme e majestoso, cheio de detalhes dourados. Fomos ate o Royal Festival Hall ver a programacao e encontramos um amigo da Julie, Richard, very english. Fomos beber cha em um cafe muito chique, no banheiro havia sabao e creme para as maos da Aveda!...
Na saida do cafe fomos ver um sebo que acontece ao ar livre, nas margens do rio, todo fim de semana. Vi uma biografia do Joseph Conrad por 10 livras, caro, mas tive muita vontade de comprar... O cara nasceu na Polonia, foi Marinheiro durante anos, tentou se matar e so depois de tudo isso se tornou escritor, escrevendo em ingles que, in fact, era o terceiro idioma que aprendeu na vida... Na noite passada, caminhando com Julie em Greenwich, ao longo do Rio, lembrei dele, porque No coracao das trevas comeca com os marinheiros navegando ao longo do Tamisa a caminho do mar...
The OXO Gallery e uma especie de shopping com pequenas lojas, todas especializadas em design, bem em frente ao Rio. Estavam fechadas, mas olhamos cada uma das vitrines antes de seguir adiante para um cafe no pub bem em frente ao Globe Theatre, o antigo teatro onde as pecas de Shakespeare foram primeiramente encenadas (na verdade, e uma reconstrucao).
E agora, em casa, assistimos finalmente o resultado do BAFTA: a melhor atriz e Marianne Cotillard por Piaf (merecidissimo!), o melhor ator e Daniel Day Lewis por There will be blood, melhor filme e Atonement (Desejo e reparacao). Ufa! Hora de ir dormir...
Minha amiga Julie mora em Greenwich, um bairro afastado do Centro, numa rua muito calma e silenciosa. Ela me doou seu quarto e esta dormindo na sala. O apartamento e uma graca, com a cozinha junto da sala de estar e varias fotografias, pinturas e desenhos nas paredes. Minha cama tem lencois rosa-shocking indianos e e tao silencioso que eu dormi quase 12 horas; Julie teve que me acordar as 11h de domingo, ou eu seguria dormindo...
Acordei meio assustada com a hora, me arrumei em um segundo e seguimos para Chinatown, porque e Ano Novo Chines!!! O ano do Rato!!! Segundo os chineses e um ano que promete muitas mudancas, mas tambem ha o risco de algumas tragedias. Entao, as pessoas rezam pedindo protecao e prosperidade. Eu tambem!...
Cai no meio da parada chinesa pelo Ano Novo, as pessoas fantasiadas (os chineses, nao os ingleses), mas em termos de animacao nao se compara com o Brasil. Fomos a um restaurante chines muito bom e relativamente barato, chamado New World. Comidas de Hong Kong, muito diferentes das que temos nos restaurantes chineses no Brasil. Pasteis de massa muito leve, feita de farinha de arroz, cozidos e nao fritos, com recheio de carne de porco e camarao. Deliciosos!!!
Comemos com outras tres amigas de Julie, inglesas. O sotaque delas e dificil para eu compreender, porque fui acostumada com o acento americano. Saimos para a rua e foi curioso, porque hoje e o dia da entraga do Bafta, o Oscar ingles. Havia tapete vermelho, luzes, arquibancada, e eu pensei que poderia ficar por ali o dia inteiro, so para ver mais tarde Daniel Day Lewis, Javier Barden e outros que estao concorrendo. Mas o dia nos chamava...
Hoje era um dia incomun em Londres, por causa do sol. Todos estavam nas ruas, muitas criancas, todo mundo alegre. Trafalgar Square cheio de gente assistindo um espetaculo montado pela comunidade chinesa. Mas seguimos andando ate a margem do Rio, passando pelo Big Ben, enorme e majestoso, cheio de detalhes dourados. Fomos ate o Royal Festival Hall ver a programacao e encontramos um amigo da Julie, Richard, very english. Fomos beber cha em um cafe muito chique, no banheiro havia sabao e creme para as maos da Aveda!...
Na saida do cafe fomos ver um sebo que acontece ao ar livre, nas margens do rio, todo fim de semana. Vi uma biografia do Joseph Conrad por 10 livras, caro, mas tive muita vontade de comprar... O cara nasceu na Polonia, foi Marinheiro durante anos, tentou se matar e so depois de tudo isso se tornou escritor, escrevendo em ingles que, in fact, era o terceiro idioma que aprendeu na vida... Na noite passada, caminhando com Julie em Greenwich, ao longo do Rio, lembrei dele, porque No coracao das trevas comeca com os marinheiros navegando ao longo do Tamisa a caminho do mar...
The OXO Gallery e uma especie de shopping com pequenas lojas, todas especializadas em design, bem em frente ao Rio. Estavam fechadas, mas olhamos cada uma das vitrines antes de seguir adiante para um cafe no pub bem em frente ao Globe Theatre, o antigo teatro onde as pecas de Shakespeare foram primeiramente encenadas (na verdade, e uma reconstrucao).
E agora, em casa, assistimos finalmente o resultado do BAFTA: a melhor atriz e Marianne Cotillard por Piaf (merecidissimo!), o melhor ator e Daniel Day Lewis por There will be blood, melhor filme e Atonement (Desejo e reparacao). Ufa! Hora de ir dormir...
sábado, 9 de fevereiro de 2008
A viagem comecou (desculpem a falta de cedilhas e acentos). Estava na fila de embarque aguardando a chamada da Iberia e pensando no quanto esta viagem internacional seria diferente das duas anteriores, em 2006 e 2007, quando fiquei em hoteis charmosos, comi em restaurantes caros e magnificos vinhos. Dessa vez eu vou sozinha, nao poderei gastar grandes quantias, mas esse tipo de viagem tambem tem graca!...
Estava afirmando isso para mim mesma e tentando espantar a tristeza chata que teimava em se anunciar quando ouvi um funcionario da companhia aerea chamar meu nome: Maria Valeria Stycer!... Me aproximei dele e ouvi incredula: fizeram um upgrade para a senhora; agora ira na classe executiva. Por que?, balbuciei. E ele: nao sei...
Continuei caminhando com a turba, com lagrimas nos olhos. Impossivel nao recordar a minha primeira viagem internacional, quando meu pai me mostrou o mundo. Fomos pela Air France na primeira classe. Menus variados, chocolates de presente... Ele realmente fez questao de me mostrar o melhor do mundo.
E ali estava eu novamente, dessa vez meio mal vestida - jeans, tenis e camiseta - embarcando na classe executiva. Comi do bom e do melhor, bebi excelente vinho espanhol e um delicioso vinho de sobremesa junto com uma selecao de queijos. Tela individual para escolher e assistir o filme que eu quisesse. Dormi como um bebe, quase deitada, com venda nos olhos... Quietinha, silenciosa, agradecendo esse presente do destino bem no incio da viagem. Que continue assim.
Estava afirmando isso para mim mesma e tentando espantar a tristeza chata que teimava em se anunciar quando ouvi um funcionario da companhia aerea chamar meu nome: Maria Valeria Stycer!... Me aproximei dele e ouvi incredula: fizeram um upgrade para a senhora; agora ira na classe executiva. Por que?, balbuciei. E ele: nao sei...
Continuei caminhando com a turba, com lagrimas nos olhos. Impossivel nao recordar a minha primeira viagem internacional, quando meu pai me mostrou o mundo. Fomos pela Air France na primeira classe. Menus variados, chocolates de presente... Ele realmente fez questao de me mostrar o melhor do mundo.
E ali estava eu novamente, dessa vez meio mal vestida - jeans, tenis e camiseta - embarcando na classe executiva. Comi do bom e do melhor, bebi excelente vinho espanhol e um delicioso vinho de sobremesa junto com uma selecao de queijos. Tela individual para escolher e assistir o filme que eu quisesse. Dormi como um bebe, quase deitada, com venda nos olhos... Quietinha, silenciosa, agradecendo esse presente do destino bem no incio da viagem. Que continue assim.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
O fim do Carnaval traz em si uma tristeza!... Quatro ou mais dias de imersão total na maior festa do mundo, a alegria pela alegria, por estar junto com o povo, sem distinção de classe, cor, cheiro, nada. O encontrar descompromissado com amigos novos ou antigos para celebrar... o quê? Não se sabe ao certo, mas certamente estar vivo!
Lembro de uma instalação que vi há alguns anos no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, de autoria do cineasta Karim Aïnouz – que dirigiu "Madame Satã", com Lázaro Ramos. Atravessávamos uma cortina de fios brilhantes para adentrar um salão totalmente negro, o chão coberto de purpurina dourada iluminada por discretos feixes de luz pálida. Dois telões em paredes opostas mostravam imagens coadjuvantes do Carnaval: num deles, um casal de amassa numa esquina, beijos sôfregos, mãos aqui e ali; no outro um velho bêbado caminha pelas ruas amparando-se nos postes, cambaleando, quase caindo, mas seguindo em frente. A música era uma sonata clássica, lenta e pungente.
Lembro que entrei e deixei meus olhos se acostumarem à penumbra, ouvindo a música, observando o casal lúbrico e o velho decadente, e naquele momento senti toda a tristeza que coexiste com o Carnaval e que se sobressai quando ele chega ao fim. Acabou. Os amigos foram para suas casas, não é mais permitido andar fantasiado no meio da rua ou, principalmente, violar as regras.
Permanecem a lembrança da alegria e saber que ela mora dentro de nós; seria bom que vigorasse o ano inteiro, independente do Carnaval.
Lembro de uma instalação que vi há alguns anos no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, de autoria do cineasta Karim Aïnouz – que dirigiu "Madame Satã", com Lázaro Ramos. Atravessávamos uma cortina de fios brilhantes para adentrar um salão totalmente negro, o chão coberto de purpurina dourada iluminada por discretos feixes de luz pálida. Dois telões em paredes opostas mostravam imagens coadjuvantes do Carnaval: num deles, um casal de amassa numa esquina, beijos sôfregos, mãos aqui e ali; no outro um velho bêbado caminha pelas ruas amparando-se nos postes, cambaleando, quase caindo, mas seguindo em frente. A música era uma sonata clássica, lenta e pungente.
Lembro que entrei e deixei meus olhos se acostumarem à penumbra, ouvindo a música, observando o casal lúbrico e o velho decadente, e naquele momento senti toda a tristeza que coexiste com o Carnaval e que se sobressai quando ele chega ao fim. Acabou. Os amigos foram para suas casas, não é mais permitido andar fantasiado no meio da rua ou, principalmente, violar as regras.
Permanecem a lembrança da alegria e saber que ela mora dentro de nós; seria bom que vigorasse o ano inteiro, independente do Carnaval.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
"Vem cá, você faz casamento?", perguntou a menina de maria-chiquinha.
Dia 4 de fevereiro de 2008, Rua Almirante Gonçalves, Copacabana, pleno Carnaval carioca. Eu, vestida de freira, hábito na cabeça, cruz (de borracha) no pescoço. Já vinha observando a moça de cabelos claros curtos, nariz arrebitado, discretas sardas, beleza e doçura incomuns. Estava parada bem na minha frente, à esquerda, junto com um grupo no qual havia ainda dois palhaços e a maria-chiquinha. Já vinha ouvindo trechos da conversa deles, quando o volume do Rancho Flor do Sereno permita.
"Casamos, mas não fizemos festa"; "Estamos juntos há um ano, comemoramos hoje..."
Então, não pensei duas vezes antes de responder: "claro que faço!"
Perguntei o nome do noivo – um dos palhaços – e ele: "André". E a noiva? "Letícia".
Coloquei um de frente pro outro e perguntei: "André, você aceita Letícia como sua legítima esposa?" Ele respondeu: "sim..." Mas a palava "esposa" desafinou nos meus ouvidos. Tão antiquada em seus significados! (Li uma entrevista com a cantora Madonna, recém-casada com o cineasta Guy Ritchie, e o repórter perguntou como era sua vida de esposa. Madonna respondeu: "I´m not a fucking wife" – corta!)
Resolvi pegar mais leve com Letícia: "você aceita André como marido e que seja infinito enquanto dure?" Ela sorriu feliz: "sim!..."
Mandei que os dois se beijassem, pedi uma salva de palmas aos amigos e arrematei: "Que Deus os abençôe, tudo de bom, E QUE SEJA INFINITO ENQUATO DURE!"...
Melhor assim.
Mais tarde, comentei com meu querido, e ele definiu muito bem: "Vinícius inventou um novo mandamento com essa frase..."
Dia 4 de fevereiro de 2008, Rua Almirante Gonçalves, Copacabana, pleno Carnaval carioca. Eu, vestida de freira, hábito na cabeça, cruz (de borracha) no pescoço. Já vinha observando a moça de cabelos claros curtos, nariz arrebitado, discretas sardas, beleza e doçura incomuns. Estava parada bem na minha frente, à esquerda, junto com um grupo no qual havia ainda dois palhaços e a maria-chiquinha. Já vinha ouvindo trechos da conversa deles, quando o volume do Rancho Flor do Sereno permita.
"Casamos, mas não fizemos festa"; "Estamos juntos há um ano, comemoramos hoje..."
Então, não pensei duas vezes antes de responder: "claro que faço!"
Perguntei o nome do noivo – um dos palhaços – e ele: "André". E a noiva? "Letícia".
Coloquei um de frente pro outro e perguntei: "André, você aceita Letícia como sua legítima esposa?" Ele respondeu: "sim..." Mas a palava "esposa" desafinou nos meus ouvidos. Tão antiquada em seus significados! (Li uma entrevista com a cantora Madonna, recém-casada com o cineasta Guy Ritchie, e o repórter perguntou como era sua vida de esposa. Madonna respondeu: "I´m not a fucking wife" – corta!)
Resolvi pegar mais leve com Letícia: "você aceita André como marido e que seja infinito enquanto dure?" Ela sorriu feliz: "sim!..."
Mandei que os dois se beijassem, pedi uma salva de palmas aos amigos e arrematei: "Que Deus os abençôe, tudo de bom, E QUE SEJA INFINITO ENQUATO DURE!"...
Melhor assim.
Mais tarde, comentei com meu querido, e ele definiu muito bem: "Vinícius inventou um novo mandamento com essa frase..."
Assinar:
Postagens (Atom)