Amigos, me desculpem a ausência, foi uma semana de muuuito trabalho. Mas existe um bom motivo. Estou gestando um projeto muito bacana que será disponibilizado na internet neste domingo, AMANHÃ, e será celebrado com festa no Rio e em São Paulo na próxima semana. Vou contar tudo, explicar tudo direitinho amanhã mesmo ou no mais tardar na segunda-feira - quando, com certeza, estará no ar. Desde já, vocês estão convidados para as minhas festas. Beijos com carinho.
sábado, 30 de maio de 2009
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Les Voyages Extraordinaires de YSL
“Tudo começa com um rosto de mulher. Daí partem linhas, curvas, cores. Nunca sei onde vou chegar. Não existe um ponto de partida e outro de chegada. Eu simplesmente deixo fluir...
(...)
Esse jorrar de pensamentos me encanta e me intriga. Mas ao final do processo eu me sinto muito feliz. (Sorriso)
(...)
Às vezes funciona, às vezes não. Quanto não funciona, eu largo o papel e o lápis e vou fazer outra coisa. Volto mais tarde e começo novamente.”
Entrei na sala de vídeo na hora em que Yves Saint Laurent, pensativo, narrava a sua maneira de criar. A festa corria solta lá fora – modelos e ex-modelos, socialites, artistas, fotógrafos, personalidades do mundo fashion desfilavam entre os 50 manequins vestidos com roupas desenhadas pelo mestre, inspiradas nas culturas do Japão, Rússia, Índia, África, Marrocos, Espanha. As peças fazem parte da exposição Les Voyages Extraordinaires, inaugurada segunda-feira à noite no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro.
Mas dentro da sala de vídeo, um grupo de umas 20 pessoas escutava em silêncio, imóveis, o próprio Saint-Laurent contando como era a experiência de esvaziar-se para se transformar em um canal da Energia Criadora. Ao criar, ele abre mão de ser YSL e se torna instrumento de algo maior sobre o qual não tem controle. Que coisa linda! Que coisa rara! É isso que diferencia um gênio de um artista comum.
Me faz lembrar o escritor João Gilberto Noll, que tanto admiro. Ele começa a escrever sem saber onde vai chegar, onde vai parar. Em certo momento, quando já avançou bastante, pára, volta atrás, relê e descobre onde começa a verdadeira história. Ele simplesmente apaga tudo até esse ponto, e continua a partir daí.
Vamos aprender com eles? Tentar? Treinar? Esvaziar-se e perder o controle não é fácil, mas pode ser um exercício para a vida inteira.
Para terminar, mais uma fala maravilhosa: “A melhor vestimenta que uma mulher pode ter são os braços do seu amado. Para as que não têm, eu crio os meus vestidos”. Yves Saint-Laurent (Argélia, 1936-2008)
(...)
Esse jorrar de pensamentos me encanta e me intriga. Mas ao final do processo eu me sinto muito feliz. (Sorriso)
(...)
Às vezes funciona, às vezes não. Quanto não funciona, eu largo o papel e o lápis e vou fazer outra coisa. Volto mais tarde e começo novamente.”
Entrei na sala de vídeo na hora em que Yves Saint Laurent, pensativo, narrava a sua maneira de criar. A festa corria solta lá fora – modelos e ex-modelos, socialites, artistas, fotógrafos, personalidades do mundo fashion desfilavam entre os 50 manequins vestidos com roupas desenhadas pelo mestre, inspiradas nas culturas do Japão, Rússia, Índia, África, Marrocos, Espanha. As peças fazem parte da exposição Les Voyages Extraordinaires, inaugurada segunda-feira à noite no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro.
Mas dentro da sala de vídeo, um grupo de umas 20 pessoas escutava em silêncio, imóveis, o próprio Saint-Laurent contando como era a experiência de esvaziar-se para se transformar em um canal da Energia Criadora. Ao criar, ele abre mão de ser YSL e se torna instrumento de algo maior sobre o qual não tem controle. Que coisa linda! Que coisa rara! É isso que diferencia um gênio de um artista comum.
Me faz lembrar o escritor João Gilberto Noll, que tanto admiro. Ele começa a escrever sem saber onde vai chegar, onde vai parar. Em certo momento, quando já avançou bastante, pára, volta atrás, relê e descobre onde começa a verdadeira história. Ele simplesmente apaga tudo até esse ponto, e continua a partir daí.
Vamos aprender com eles? Tentar? Treinar? Esvaziar-se e perder o controle não é fácil, mas pode ser um exercício para a vida inteira.
Para terminar, mais uma fala maravilhosa: “A melhor vestimenta que uma mulher pode ter são os braços do seu amado. Para as que não têm, eu crio os meus vestidos”. Yves Saint-Laurent (Argélia, 1936-2008)

sábado, 23 de maio de 2009
À Deus, Zé!
Uma das coisas mais chocantes que há é ver uma pessoa viva e com saúde ser colhida de repente pela morte.
No dia 6 de maio, eu estive na Livraria Argumento, no Rio de Janeiro, assistindo à showlestra do Z. Rodrix. Sentadinho em frente uma grande mesa, com um teclado ao alcance das mãos, ele contou como compôs o clássico Eu quero uma casa no campo, que depois ganhou o mundo na voz de Elis Regina.
Era o ano de 1972 e ele viajava de ônibus até Goiânia, acompanhado da Gal Costa, para uma série de shows. No caminho, árvores de macela enfeitavam a estrada com suas flores amarelas, e ele começou a rabiscar a letra: “Eu quero uma casa no campo/ Onde eu possa compor muitos rocks rurais/ E tenha somente a certeza/ Dos amigos do peito e nada mais/ Eu quero uma casa no campo/ Onde eu possa ficar do tamanho da Paz”. Em cima dessa poesia, o compositor e parceiro Tavito criou a melodia.
Zé disse outras coisas bonitas nessa noite, que anotei em um caderninho que costumo levar sempre na bolsa. “O artista faz um mergulho dentro de si e trás de lá seja o que for. Isso tem o poder de desfazer enigmas dentro das pessoas. Daí muita gente diz: puxa, parece que o cara escreveu essa música para mim!”
E uma definição bem simples e pragmática do que é Arte: “Arte é o que te toca. O que não te toca não é arte”.
Zé é autor da Trilogia do Templo - três volumes sobre a História da Maçonaria - publicada pela Editora Record, onde trabalhei por quase três anos. Não era uma pessoa fácil, mas nossa relação sempre foi muito cordial e respeitosa. No dia 6 de maio, cheguei à Argumento com a showlestra já começada e fui embora antes de terminar. Acabei não o cumprimentando. Que lástima!
Mas hoje ao meio-dia, horário da cremação em São Paulo, coloquei minha música favorita dele - Mestre Jonas - para tocar no máximo volume e dancei, dancei, prestando minha última homenagem a esse grande e maravilhoso artista.
No dia 6 de maio, eu estive na Livraria Argumento, no Rio de Janeiro, assistindo à showlestra do Z. Rodrix. Sentadinho em frente uma grande mesa, com um teclado ao alcance das mãos, ele contou como compôs o clássico Eu quero uma casa no campo, que depois ganhou o mundo na voz de Elis Regina.
Era o ano de 1972 e ele viajava de ônibus até Goiânia, acompanhado da Gal Costa, para uma série de shows. No caminho, árvores de macela enfeitavam a estrada com suas flores amarelas, e ele começou a rabiscar a letra: “Eu quero uma casa no campo/ Onde eu possa compor muitos rocks rurais/ E tenha somente a certeza/ Dos amigos do peito e nada mais/ Eu quero uma casa no campo/ Onde eu possa ficar do tamanho da Paz”. Em cima dessa poesia, o compositor e parceiro Tavito criou a melodia.
Zé disse outras coisas bonitas nessa noite, que anotei em um caderninho que costumo levar sempre na bolsa. “O artista faz um mergulho dentro de si e trás de lá seja o que for. Isso tem o poder de desfazer enigmas dentro das pessoas. Daí muita gente diz: puxa, parece que o cara escreveu essa música para mim!”
E uma definição bem simples e pragmática do que é Arte: “Arte é o que te toca. O que não te toca não é arte”.
Zé é autor da Trilogia do Templo - três volumes sobre a História da Maçonaria - publicada pela Editora Record, onde trabalhei por quase três anos. Não era uma pessoa fácil, mas nossa relação sempre foi muito cordial e respeitosa. No dia 6 de maio, cheguei à Argumento com a showlestra já começada e fui embora antes de terminar. Acabei não o cumprimentando. Que lástima!
Mas hoje ao meio-dia, horário da cremação em São Paulo, coloquei minha música favorita dele - Mestre Jonas - para tocar no máximo volume e dancei, dancei, prestando minha última homenagem a esse grande e maravilhoso artista.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Te cuida

Prenez soin de vous era a mensagem no celular, terminando o relacionamento. O camarada não teve a coragem de mostrar a cara, mandou um torpedo. Ela respirou fundo e transformou o pé na bunda em obra de arte. Apagou o nome do remetente e mandou a mensagem a 107 mulheres ao redor do mundo, de diferentes profissões – entre elas uma menina de 9 anos e a primeira-dama da França, a cantora Carla Bruni – pedindo que a interpretassem através de textos ou performances filmadas. O resultado virou uma exposição que será inaugurada em São Paulo no dia 10 de julho, logo após a FLIP, onde a escritora e artista multimídia Sophie Calle vai reencontrar pela primeira vez o ex-namorado e autor da desfeita, o escritor Grégoire Bouillier, em uma das mesas do evento.
É ou não é sensacional?
Tudo isso para dizer que nós, homens e mulheres, devemos tomar muito cuidado quando um namorado ou candidato a isso se despede de nós com essa expressão: Te cuida.
Como assim, te cuida? Segundo Sophie Calle, essa frase é “definitiva e violenta”.
Já presenciei breve de história de amor em que, ao final do segundo encontro, o homem se despediu com um selinho e: te cuida. Nunca mais apareceu.
Um pretenso candidato, recentemente, numa das despedidas pronunciou a fatídica expressão – te cuida – e eu adivinhei que a história não tinha futuro, o que logo se confirmou.
Portanto, se alguém lhe disser te cuida, pé atrás! E se o estrago já tiver sido feito, a solução nos é dada por Sophie Calle: “Era exatamente o que eu tinha que fazer naquele momento, cuidar de mim. Trocar o sofrimento por um projeto foi o meu jeito de me distanciar daquela dor”.
Mulheres, eu as convoco: vamos atirar ovos podres no Grégoire Bouillier na FLIP e transformar isso em uma performance artística? Podemos avisar à Sophie para que filme a cena. Não acham uma grande idéia???
É ou não é sensacional?
Tudo isso para dizer que nós, homens e mulheres, devemos tomar muito cuidado quando um namorado ou candidato a isso se despede de nós com essa expressão: Te cuida.
Como assim, te cuida? Segundo Sophie Calle, essa frase é “definitiva e violenta”.
Já presenciei breve de história de amor em que, ao final do segundo encontro, o homem se despediu com um selinho e: te cuida. Nunca mais apareceu.
Um pretenso candidato, recentemente, numa das despedidas pronunciou a fatídica expressão – te cuida – e eu adivinhei que a história não tinha futuro, o que logo se confirmou.
Portanto, se alguém lhe disser te cuida, pé atrás! E se o estrago já tiver sido feito, a solução nos é dada por Sophie Calle: “Era exatamente o que eu tinha que fazer naquele momento, cuidar de mim. Trocar o sofrimento por um projeto foi o meu jeito de me distanciar daquela dor”.
Mulheres, eu as convoco: vamos atirar ovos podres no Grégoire Bouillier na FLIP e transformar isso em uma performance artística? Podemos avisar à Sophie para que filme a cena. Não acham uma grande idéia???
terça-feira, 19 de maio de 2009
80 anos de Tintim
- Vou fazer uma tatuagem! – anunciei à mesa de jantar.
As crianças me olharam incrédulas.
- Vou tatuar Tintim e Milu nas costas. Em homenagem aos seus 80 anos e porque ele, definitivamente, é um cara de sorte.
De fato, o personagem criado em 1929 pelo cartunista francês Hergé sempre é salvo na última hora por uma virada sensacional do destino. É ou não é uma boa fonte de inspiração?
Brincadeirinha, a história da tatuagem. Mas resolvi escrever post para homenagear o meu personagem favorito dos quadrinhos. Ele é repórter como eu, viaja o mundo, vai aos países mais exóticos atrás das mais perigosas aventuras. E tem a seu lado o fiel cãozinho Milu, inteligentíssimo; não é capaz de falar mas se faz entender como ninguém.
Tintim (pronuncia-se Tantan em francês) também estava presente em um episódio muito marcante da minha infância. Eu tinha o costume de ler à mesa de comida. Invariavelmente, esse hábito provocava a derrubada do copo com o líquido que eu estivesse bebendo, o que causava muitos transtornos. Um dia, minha mãe disse com raiva:
- A próxima vez em que você derrubar o copo, eu vou picar o livro, seja ele qual for!
Adivinhe qual foi? O caranguejo das tenazes de ouro, a minha aventura favorita do Tintim. Naquela época, era uma edição de capa dura, o que não foi suficiente para demover minha mãe de seu instinto assassino. O livro virou um punhado de papel picado. Como eu chorei...
Hoje, tenho não só O caranguejo das pinças de ouro (novo título em nova edição pela Companhia das Letras) como outros seis volumes da coleção de 24 livros. A meta aqui em casa é adquirir e ler todos.
E vocês, já leram alguma aventura do Tintim? Se eu fosse realmente fazer a tatuagem seria esse desenho aí embaixo, ó!

As crianças me olharam incrédulas.
- Vou tatuar Tintim e Milu nas costas. Em homenagem aos seus 80 anos e porque ele, definitivamente, é um cara de sorte.
De fato, o personagem criado em 1929 pelo cartunista francês Hergé sempre é salvo na última hora por uma virada sensacional do destino. É ou não é uma boa fonte de inspiração?
Brincadeirinha, a história da tatuagem. Mas resolvi escrever post para homenagear o meu personagem favorito dos quadrinhos. Ele é repórter como eu, viaja o mundo, vai aos países mais exóticos atrás das mais perigosas aventuras. E tem a seu lado o fiel cãozinho Milu, inteligentíssimo; não é capaz de falar mas se faz entender como ninguém.
Tintim (pronuncia-se Tantan em francês) também estava presente em um episódio muito marcante da minha infância. Eu tinha o costume de ler à mesa de comida. Invariavelmente, esse hábito provocava a derrubada do copo com o líquido que eu estivesse bebendo, o que causava muitos transtornos. Um dia, minha mãe disse com raiva:
- A próxima vez em que você derrubar o copo, eu vou picar o livro, seja ele qual for!
Adivinhe qual foi? O caranguejo das tenazes de ouro, a minha aventura favorita do Tintim. Naquela época, era uma edição de capa dura, o que não foi suficiente para demover minha mãe de seu instinto assassino. O livro virou um punhado de papel picado. Como eu chorei...
Hoje, tenho não só O caranguejo das pinças de ouro (novo título em nova edição pela Companhia das Letras) como outros seis volumes da coleção de 24 livros. A meta aqui em casa é adquirir e ler todos.
E vocês, já leram alguma aventura do Tintim? Se eu fosse realmente fazer a tatuagem seria esse desenho aí embaixo, ó!

domingo, 17 de maio de 2009
sábado, 16 de maio de 2009
Um choro genuíno
Um choro genuíno é aquele que surge sem respeitar hora ou lugar, mas com motivo. Não precisa de imagens tocantes ou de uma música que lembre situações passadas para despertar; está ligado ao presente. Não tolera a repressão da gente, que não gosta de ser visto em situação de fragilidade na frente dos outros, e ganha nossa cara diante de quem quer que seja, tão livre e violento que não pode ser escondido, não dá para ser contido, e se mostra com todo o seu descontrole impactando que se aventure a encará-lo.
Ontem, esse choro aconteceu na fila do supermercado. Um monte de gente em volta, todos com pressa, cansados, olhar perdido. O meu choro acordou todo mundo. Eu não gritei ou me descabelei, simplesmente chorei. Quieta, no meu lugar, mas deixando fluir toda a dor e tensão acumuladas. As pessoas olhavam, se entreolhavam, interrogações nos rostos, pesar, pena, vergonha, desconforto. Cada um reagiu reagiu de alguma forma.
A funcionária do supermercado, que controlava a fila, demonstrou surpresa e abriu espaço para eu passar, tinha chegado a minha vez. A moça da caixa não viu, a empacotadora não percebeu, entrei no táxi e o motorista começou logo a contar uma história engraçada. As lágrimas cessaram.
Ao fim da corrida, ele desejou um ótimo dia e que eu ficasse com Deus. Agradeci e procurei cumprir à risca o que sugeriu.

Ontem, esse choro aconteceu na fila do supermercado. Um monte de gente em volta, todos com pressa, cansados, olhar perdido. O meu choro acordou todo mundo. Eu não gritei ou me descabelei, simplesmente chorei. Quieta, no meu lugar, mas deixando fluir toda a dor e tensão acumuladas. As pessoas olhavam, se entreolhavam, interrogações nos rostos, pesar, pena, vergonha, desconforto. Cada um reagiu reagiu de alguma forma.
A funcionária do supermercado, que controlava a fila, demonstrou surpresa e abriu espaço para eu passar, tinha chegado a minha vez. A moça da caixa não viu, a empacotadora não percebeu, entrei no táxi e o motorista começou logo a contar uma história engraçada. As lágrimas cessaram.
Ao fim da corrida, ele desejou um ótimo dia e que eu ficasse com Deus. Agradeci e procurei cumprir à risca o que sugeriu.

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